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segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

ESPECIAL GUARÁ 60 ANOS - 1ª parte



Os Primórdios

De hoje, 9 de janeiro, até o dia 14, estaremos postando matérias especiais em comemoração aos 60 anos do primeiro clube de futebol do Distrito Federal, o Clube de Regatas Guará.
No dia de hoje (9 de janeiro de 2017), o Clube de Regatas Guará está completando 60 anos de vida!
Prestamos nossa homenagem ao pioneiro do futebol brasiliense, contando inicialmente um pouco do que aconteceu naqueles dias de 1956 e 1957.
Ao contrário dos que muitos pensam o Guará não surgiu na cidade-satélite do mesmo nome. A cidade-satélite do Guará somente seria inaugurada em 21 de abril de 1969.
Muito antes disso, segundo a revista Brasília, da Companhia Urbanizadora da Nova Capital do Brasil-NOVACAP, em dezembro de 1956, ainda nos primórdios de Brasília, um grupo de pioneiros, dentre eles Carlindo Ribeiro da Cruz, Francisco Luís Bessa Leite, Oswaldo Cruz Vieira, Edson Porto, Omar Martins Dias e Levy do Amaral, após um dia exaustivo de trabalho, reunidos em uma simples barraca de lona nas proximidades do velho barracão da Novacap, comentava sobre os campeonatos de futebol da terra natal de cada um. Cada qual contava uma passagem interessante de seus clubes. O saudoso Oswaldão, antigo defensor do Fluminense, de Araguari, do Goiânia e do Atlético Mineiro, contava, com orgulho, suas facetas esportivas e todos o ouviam com atenção.
Em certo momento da conversa, surgiu a ideia da criação de um clube, sendo, nessa ocasião, constituída uma diretoria provisória composta dos senhores Francisco Luiz de Bessa Leite (Presidente), Oswaldo Cruz Vieira (Vice-Presidente), Jean Pierre Curri (1º Secretário), Lauro França (2º Secretário), Levy do Amaral (1º Tesoureiro) e Edson Porto (Diretor de Esportes), e um Conselho Deliberativo, tendo como membros Carlindo Ribeiro da Cruz (presidente), Geraldo Claro da Silva, José Amador Cordeiro, José de Lourdes Brandão e outros, que combinaram outra reunião para elaboração dos estatutos, eleição da Diretoria definitiva e oficialização do clube.
Em 11 de dezembro de 1956, uma terça-feira, aconteceu a inauguração do restaurante do SAPS - Serviço de Alimentação da Previdência Social, construído em tempo recorde por Francisco Manoel Brandão.
E foi nesse mesmo restaurante que, em um domingo de dezembro de 1956, após o almoço, nas improvisadas mesas do também improvisado SAPS, depois de várias discussões e votações, surgiu o primeiro clube de futebol do Distrito Federal, lavrando-se, em um pequeno pedaço de papel de uma caderneta de “ponto” dos operários, a primeira ata.
Alguns nomes foram sugeridos: Novo Brasil, Brasília e Nacional. O engenheiro chefe da Novacap, Bernardo Sayão, sugeriu o de Vera Cruz. Jofre Mozart Parada, engenheiro da Novacap, sugeriu o nome do próprio local das reuniões, que era o sítio do Guará, assim chamado por conter o Córrego do Guará, assim referido, por sua vez, pela presença, na região, da rara espécie do lobo guará.
Firmou-se, então, o nome, que ficou sendo, inicialmente, Esporte Clube Guará.
Passaram-se os dias e, a 9 de janeiro de 1957, no mesmo restaurante da SAPS, já agora com os planos feitos pela Diretoria provisória, foi realizada a sessão solene de fundação do clube, a qual compareceu grande número de adeptos, pois a notícia da criação do Guará correu célere pelos acampamentos e, assim, Brasília foi tomada de curiosidade.
Aberta a sessão, foi feita uma explanação sobre os objetivos da criação do clube e, logo após, sob os aplausos gerais, foi procedida a eleição da Diretoria e Conselho Deliberativo que, sob aclamação, ficou assim constituída: Presidente - Carlindo Ribeiro da Cruz; Secretário - Inácio de Lima Ferreira; Diretor de Esportes - Oswaldo Cruz Vieira; Diretor Administrativo - Lauro França Duarte de Oliveira e Diretor Financeiro - Geraldo Claro da Silva.
Quanto às cores, da fusão de ideias e preferências daqueles pioneiros e de outros simpatizantes de clubes do Rio de Janeiro e de São Paulo, saiu a decisão para o vermelho e preto.
Para o primeiro jogo do Guará a ideia era fazer uma camisa com essas cores. Mas não havia tecido vermelho na praça e não dava tempo para importá-lo de Goiânia. Então, a esposa de um dos diretores pegou um tecido branco e fez as mangas e as golas. Por força das dificuldades que marcavam o início de construção de Brasília, as primeiras camisas do Guará foram preto e branco.
Dias depois, já com o E. C. Guará, devidamente uniformizado, realizava seu primeiro jogo contra uma equipe formada na Empresa de Construções Gerais, do Gama, pois com a sua criação, os empregados das companhias construtoras iniciaram movimento no mesmo sentido e, dia a dia, iam nascendo vários clubes. Algumas fontes afirmam que o Guará venceu por 2 x 0.
Esses clubes, sem nenhuma ordem, disputavam, nos poucos dias de folga que na época lhes eram concedidos, algumas partidas amistosas, pois em Brasília se trabalhava dia e noite sem parar.
Passados os primeiros dias de euforia e já com o clube em pleno desenvolvimento, Oswaldão anteviu a necessidade de ampliá-lo com outras modalidades de esporte. Dessa forma, objetivando um terreno à beira do lago, propôs a mudança do nome de Esporte Clube para Clube de Regatas, a qual, submetida a apreciação da Diretoria e Conselho, foi aprovada, passando, então, para Clube de Regatas Guará.

Então, Lauro França dos Santos desenhou a camisa e o escudo (a cara de um lobo com as iniciais C R G em volta), sendo que este foi aprimorado pelo Tenente Agenor Rodrigues, da Base Aérea, que introduziu posteriormente a bola e a âncora.
Apoiada a ideia, foi iniciada a campanha financeira da qual foram encarregados Carlindo e Geraldo, que andaram de barraca em barraca, catando os minguados cruzeiros de velhos candangos.

Em homenagem ao Presidente da Novacap, Israel Pinheiro, foi dado seu nome ao futuro estádio do novo clube, cuja construção teve início logo após autorização de Bernardo Sayão.
O campo de futebol ficava em frente ao restaurante do SAPS, no mesmo local onde depois passou a funcionar o posto da Petrobrás. Aproveitou-se a construção de um campo de aviação provisório que foi logo abandonado pela rapidez com que foi construído o aeroporto definitivo.
Ainda em janeiro de 1957, o Guará realizou outro jogo, em Planaltina, perdendo de 5 x 0. Logo depois desse jogo, aconteceu um desentendimento entre os membros da diretoria provisória que, nesse mesmo dia, foi dissolvida, ficando à frente do clube Oswaldo Cruz Vieira.

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