Antônio Pereira dos Santos, o Xixico, também chamado de Pereira, nasceu em
Caxias (MA), no dia 16 de setembro de 1943. Veio para Brasília com dois objetivos: conseguir emprego em uma das várias empresas
que começavam a construção da nova Capital Federal e, se possível, numa que
tivesse um time de futebol.
Com 20 anos de idade, conseguiu isso ao passar a defender seu primeiro clube de
futebol no Distrito Federal, o Nacional, mantido pela construtora do mesmo
nome, no ano de 1963.
Na primeira rodada do Campeonato Brasiliense, no dia 19 de maio de 1963, em seu
campo, Aristóteles Góes, o Nacional empatou com o Guanabara, em 2 x 2, com Xixico
atuando na ponta-esquerda. Assim formou o Nacional: Chico, Alberto, Eufrásio,
Logodô e Ferreira; João e Nilson; Manoel, Naelson, Zezão e Xixico.
Em 1964, ano em que foram disputados os campeonatos brasilienses de
profissionais e de amadores, Xixico esteve no segundo, defendendo o Nacional,
que não quis aderir ao profissionalismo.
Em 1965, passou para o Pederneiras, clube que também não aderiu ao
profissionalismo e disputou o campeonato brasiliense da categoria de amadores.
No dia 15 de agosto de 1965, o Pederneiras venceu o Guanabara por 1 x 0 e
conquistou o título de campeão brasiliense invicto, com essa formação: Chico,
Tarcísio, Eufrásio, Logodô e Xixico; Firmo e Saudio; Deca, Zezito, Eraldo e
Cotia.
Continuou no Pederneiras em 1966, ano em que clube resolveu passar a ser
profissional e que teve como grande destaque no ano a vitória de 1 x 0 sobre o
Esporte Clube Bahia, no dia 31 de agosto de 1966.
Nesse ano, no dia 14 de novembro de 1966, um novo clube surgiu no futebol do
DF, o Coenge Futebol Clube, do Gama.
Aproveitando-se que o Pederneiras solicitou licença de todas as suas atividades
durante o ano de 1967, Xixico resolveu “apostar” no novo clube.
Em 1967, o Coenge integrava o Departamento Autônomo da Federação Desportiva de
Brasília, uma espécie de departamento responsável pelo futebol amador da
entidade. Desde o ano anterior, 1966, o departamento organizava um campeonato
entre as equipes não profissionais, divididas, em sua primeira fase, por
regiões, chamadas de séries, no Gama, em Taguatinga, em Sobradinho e no Plano
Piloto.
No mês de outubro aconteceu a primeira conquista da história do Coenge, ao
vencer o Torneio de Aniversário da Cidade do Gama. Logo depois, nos dias 26 de
novembro e 3 de dezembro de 1967, Xixico participou de um torneio quadrangular
que contou com o Coenge e A. A. Cultural Mariana, ambos do Gama, e Rabello e
Cruzeiro do Sul, ambos de Brasília. O Coenge ficou com o segundo lugar no
torneio, sendo derrotado na decisão contra o Cruzeiro do Sul com essa formação:
Tonho, Dimenor, Tarcísio, Xixico e Mauro; Pelezão e Divino; Pelezinho, Dera,
Eraldo e Oscar.
Em 1968, o Coenge, com Xixico na equipe, venceu o campeonato da cidade do Gama,
foi o vencedor da Série Gama do campeonato do Departamento Autônomo e venceu a fase
final desse campeonato após superar equipes do Gama e de Taguatinga, Sobradinho
e Plano Piloto.
O Coenge foi campeão com Hugo, Dirceu (Minhoca), Eraldo, Ferraz e Xixico
(Duchinha); Mauro e Divino; Noé, Pelezinho, Tatá e Oscar.
Seleção do DF contra o Flamengo
No dia 2 de março de 1969, a Seleção Amadora do Distrito Federal enfrentou o
Flamengo, do Rio de Janeiro, que contava com Garrincha. O Coenge cedeu onze
jogadores para esse selecionado, dentre eles, Xixico que teve a incumbência de
marcar o craque das pernas tortas.
A Seleção Amadora do DF atuou com Hugo, Jonas (Fernandes), Eraldo, Paulinho e
Xixico; Eduardo e Divino; Noé, Guairacá, Pelezinho (Argenta) e Oscar (Marão).
O rubro-negro carioca vencia o jogo por 3 x 1, mas resolveu abandonar o gramado
com 60 minutos de jogo, depois da expulsão de dois de seus jogadores.
A partir de 13 de abril de 1969, o Coenge iniciou a campanha que lhe daria,
pela primeira vez em sua história, o título de campeão brasiliense de futebol.
O time campeão do Coenge em sua última partida pelo campeonato, no dia 19 de
outubro de 1969, foi: Hugo, Ferraz, Tatá, Mauro e Xixico; Pelezão (Eustáquio) e
Divino; Márcio Minhoca, Pelezinho, Noé e Oscar.
No dia 1º de fevereiro de 1970, aconteceu o jogo do Coenge contra a Portuguesa,
do Rio de Janeiro, que terminou empatado em 1 x 1. O time do Coenge foi Carlos
José, Jaimir, Elias (Ferraz), Mauro e Xixico; Pelezão e Divino; Agostinho, Pelezinho,
Zé Carlos (Noé) e Oscar.
O Coenge não foi bem no campeonato brasiliense de 1970, terminando na sétima
colocação entre os dez clubes que disputaram a competição, ficando de fora da
Segunda Fase (apenas os seis primeiros passavam).
Em 1971, a Federação Desportiva de Brasília promoveu o Torneio Governador Hélio
Prates da Silveira, que teve início em março. O torneio marcou o início da
decadência do Coenge. Assim como outros clubes, foi punido por inadimplência,
com a perda de pontos em vários jogos. Depois, o Coenge se ausentou das
reuniões, o que também era motivo para punições, e foi decidido, no dia 23 de
junho de 1971, em assembleia, que os jogadores pertencentes a estas agremiações
estavam liberados para disputar partidas por outros times. Desta forma, Xixico
deixou o Coenge.
Com o fim do Coenge, em 1972 Xixico passou a fazer parte do elenco da
Associação Atlética Serviço Social, que estreava nesse ano no Campeonato
Brasiliense.
A A. A. Serviço Social era formada, basicamente, por jogadores de vários clubes
extintos, como Defelê, Planalto, Coenge e Civilsan.
No final do campeonato, o Serviço Social ficou com a quinta colocação.
A partir de 1973 e até 1975, Xixico voltou a disputar apenas as competições do
Gama. A Organização dos Esportes do Gama foi fundada em 2 de março de 1974 e
por aqui ele ficou até a criação do campeonato de profissionais, em 1976,
quando passou a defender a Sociedade Esportiva do Gama.
Gama 1977: em pé, da esquerda para a direita, Xixico, Atualpa, Carlão, Adilson, Rildo e Osvaldo. Agachados: Pelezinho, Carlinhos, Santana, Roldão e Zé Vieira.
Já com 33 anos de idade, Xixico participou do processo de formação das primeiras
equipes do Gama (fundado em 15 de novembro de 1975).
Sua estreia aconteceu no dia 15 de agosto de 1976, no Pelezão, com derrota de 3
x 2 para o Taguatinga, em jogo válido pelo Campeonato Brasiliense. Junto com
Dequinha, também do Gama, e Paraibinha, do Taguatinga, foi expulso de campo.
O Gama formou com Noel, Dequinha, Carlão, Santana e Xixico; Chicão, Gabriel e
Pelezinho; Almir, Carlos Alberto e Oscar (Galego). Técnico: Zé Maria.
Seu último jogo com a camisa do Gama aconteceu em 13 de março de 1977, no
Pelezão, num jogo contra o Brasília, pelo Torneio Imprensa. O Gama atuou com Adriano,
Carlão, Joãozinho, Dão e Rildo; Xixico, Cláudio e Lelé; Gisélio, Santana e
Liminha.
Seu número de registro na Federação Desportiva de Brasília mostra bem como ele
foi um dos primeiros jogadores de futebol no DF: 60. Na antiga CBD, atual CBF,
ele tinha o registro de número 40.300.
Xixico, Pelezinho e Oscar, campeões pelo Coenge em 1969, e ex-jogadores do Gama, no reencontro dos jogadores em 2010