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domingo, 18 de janeiro de 2026

A PRIMEIRA VEZ A GENTE NÃO ESQUECE: Os primeiros jogos amistosos do Defelê - 1960


Não encontramos o resultado final do provável primeiro jogo do Defelê, realizado no dia 8 de maio de 1960. Os jornais da época disseram, simplesmente, que o jogo acabou empatado diante da Associação Esportiva Taguatinga. Esse mesmo adversário enfrentou o Defelê uma semana depois, no dia 15 de maio de 1960. No campo do Grêmio, o Defelê conseguiu a primeira vitória de sua história, pelo placar de 2 x 0. Ramiro marcou no primeiro tempo e Pelé no 2º. O Defelê venceu com Anésio, Zé do Ó e Zé Carlos; Piauí, Antônio e Samuel Silva; Ramiro, Ely, Roberto, Wander Abdalla e Pelé. Esse jogo marcou a estreia do zagueiro Zé Carlos, que veio do Bangu (RJ).

No dia 22 de maio de 1960 o time jogou amistosamente contra um selecionado da cidade de Luziânia. O jogo foi marcado por incidentes e invasões de campo por parte da assistência.
O resultado final foi um empate em 1 x 1. Jogou o Defelê com Paulinho, Samuel, Macedo e Anésio; Wander e Antônio; Ramiro, Lacir, Ely, Edson e Pelé.

No dia 5 de junho de 1960, o Defelê empatou com a equipe do Planalto, jogo que terminou em pancadaria generalizada, no Estádio Duílio Costa. No 1º tempo o Planalto terminou na frente em 2 x 1. Os gols do Defelê foram marcados por Octávio, o do empate aos 2 minutos, do 2º tempo. O tumulto começou aos 20 minutos do segundo tempo, quando o jogador Jales agrediu Ely, tendo a ajuda de outros companheiros, provocando a intervenção do elenco do Defelê e da torcida. Muitos saíram feridos. Os bandeirinhas tiveram que se defender com seus instrumentos de trabalho e o árbitro Dirceu Basílio, sem a segurança policial, decidiu pôr fim à partida.
O Defelê esteve em campo com Carlos Magno, Macedo e Zé Carlos; Samuel Silva, Wander e Anésio; Ramiro (Jucão), Ely, Lacir Pedersoli, Édson Galdino e Octávio.

Desfalcado de três bons elementos (Édson Galdino, Ely e Zé Carlos), o Defelê disputou no dia 19 de junho de 1960 um amistoso em Jaraguá (GO), cidade natal de Ciro Machado do Espírito Santo. O clube brasiliense venceu por 2 x 1. No 1º tempo, Picolé marcou para o Defelê. No início do 2º, o Jaraguá empatou. Pedersoli marcou o gol da vitória do Defelê. Atuou o Defelê com Isaac, Samuel, Macedo e Vítor; Wander e Picolé; Ramiro, Edson II, Pedrosa, Pedersoli e Otávio. Técnico: Edson Galdino.

No dia 22 de junho aconteceu o já citado jogo na preliminar de Atlético Mineiro x Cruzeiro, que acabou com a derrota do Defelê, por 4 x 0, diante do Guará.
Na revanche, no dia 3 de julho de 1960, nova derrota do Defelê, desta vez por 2 x 1.Ely, de pênalti, marcou para o Defelê, que atuou com Anésio, Samuel, Macedo e Vítor; Wander e Euclides; Ramiro, Gino (Juca), Ely, Itiberê e Otávio.

No amistoso realizado no dia 17 de julho de 1960, o Defelê venceu o Industrial, por 3 x 1. Na preliminar, a equipe de aspirantes derrotou o Walmap (do Banco Nacional de Minas Gerais) por 2 x 0.

Na semana seguinte, 24 de julho de 1960, o Defelê realizou mais um amistoso, dessa vez contra o M. M. Quadros e venceu por 3 x 1.

Ramiro, Zé Paulo e Ely
O terceiro amistoso contra o Guará, tido pela imprensa e torcedores como o grande favorito para a conquista do campeonato de 1960, foi realizado no dia 14 de agosto de 1960. Depois de estar perdendo por 2 x 0, o Defelê foi buscar o empate no segundo tempo, com gols de Ely, cobrando pênalti, e Vicente. Jogaram pelo Defelê: Anésio (Carlito), Samuel Silva, Euclides e Gavião; Wander Abdalla e Zé Paulo; Ramiro, Gino (Vicente), Adjalme (Picolé), Ely e Otávio (Gilberto).
O curioso é que Defelê e Guará foram punidos pela Federação Desportiva de Brasília por terem jogado sem autorização da entidade, fato que configurou um problema de indisciplina e descumprimento da lei.

No dia 31 de agosto de 1960, no Estádio Israel Pinheiro, o Defelê empatou em 1 x 1 com a clube da Câmara dos Deputados (mais tarde, Guanabara), jogo marcado pela violência que levou à suspensão do duelo, aos 15 minutos, do 2º tempo, quando um dos jogadores do Defelê saiu com um braço quebrado e outros com ferimentos na cabeça.
A origem da confusão teria sido um chute dado pelo jogador Victor Grillo, do Defelê, num adversário, o que levou a torcida adversária a invadir o campo e fraturar o braço do jogador.

Matil
O Defelê foi até Planaltina enfrentar a seleção local no dia 7 de setembro de 1960. No jogo entre as equipes principais, o Defelê goleou por 6 x 0, com os gols sendo assinalados nesta ordem: 1º tempo – Ramiro, Gino, Gino e Ramiro; 2º tempo – Ceará, duas vezes. O Defelê formou com Anésio, Samuel, Macedo e Gavião; Euclides (Antônio) e Zé Paulo; Ramiro, Gino, Octávio, Wander e Gilberto.

No dia 16 de outubro de 1960, o time realizou um amistoso no campo do Grêmio. Atuando com Matil, Samuel, Macedo e Gavião; Wander (Euclides) e Loureiro; Ramiro, Dionísio, Ceará (Doca), Fino e Octávio, o Defelê foi surpreendido pelo Real, perdendo o jogo por 1 x 0.



terça-feira, 6 de agosto de 2024

O DIA DE HOJE NA HISTÓRIA DO FUTEBOL BRASILIENSE: A morte de Oswaldão


Na madrugada de 6 de agosto de 1966, morreu Oswaldo da Cruz Vieira, o Oswaldão.

Natural de Araguari (MG), antes mesmo de Brasília dar seus primeiros sintomas de vida, com a chegada dos primeiros tratores para devastar o cerrado para que fosse erguida a cidade, aqui estava Oswaldão.
Seu ingresso na Novacap data de 1º de novembro de 1956, na função de Condutor de Topografia do DOAM-Departamento de Organização e Administração Municipal.
Oswaldão fez os primeiros serviços de topografia (demarcação dos lotes e arruamento) da Cidade Livre, hoje Núcleo Bandeirante.
Em 30 de novembro de 1957, participou da reunião de congraçamento dos funcionários da Novacap que comemoraram um ano de trabalho em Brasília. Na ocasião, para marcar o fato, foi elaborado um Diploma que recebeu as assinaturas dos participantes e mais do Presidente Juscelino Kubitschek e dos diretores da Novacap.

Oswaldão plantou a semente do futebol em Brasília, logo conseguindo adeptos para dar mais corpo a sua ideia de fundar um clube de futebol.
Em dezembro de 1956, um grupo de desportistas, após um dia exaustivo de trabalho, reunido em uma simples cabana de lona, comentava sobre os campeonatos de futebol da terra natal de cada um. Cada qual contava uma passagem interessante de seus clubes. Oswaldão, desportista de escol, antigo defensor do Fluminense, de Araguari, do Goiânia e do Atlético Mineiro, contava, com orgulho, suas facetas esportivas e todos o ouviam com atenção.
A essa altura da conversa, surge a ideia da criação de um clube, sendo, nessa ocasião, constituída uma Diretoria provisória, na qual Oswaldão ficou como Vice-Presidente.
Passam-se os dias e, a 9 de janeiro de 1957, no Restaurante dos Engenheiros da Novacap, já agora com os planos feitos pela Diretoria provisória, é realizada a sessão solene de fundação do clube, a qual comparece grande número de adeptos, pois a notícia correu célere pelos acampamentos e, assim, Brasília foi tomada de curiosidade.
Procedida a eleição da diretoria, Oswaldão era o novo Diretor de Esportes do Clube de Regatas Guará.

O Guará realizou o primeiro jogo interestadual muito antes da inauguração de Brasília. Em 14 de setembro de 1958, em seu campo, o Guará foi derrotado pelo Atlético Goianiense, por 1 x 0.

Em 16 de março de 1959, vários desportistas se reuniram na cantina do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Industriários (IAPI), para fundar a Federação Desportiva de Brasília, Oswaldão fazia parte da Mesa Dirigente, além de ser o representante do Clube de Regatas Guará.
Logo após a aprovação dos estatutos da entidade, o Guará, por intermédio de Oswaldão, apresentou seu requerimento de filiação ao qual fez juntada de um exemplar de seus Estatutos, devidamente impressos.

Considerado por muitos como o dirigente mais “matreiro” entre os que passaram pelo futebol brasiliense na década de 60, Oswaldão contratava quase que exclusivamente jogadores para o Guará, prometendo-lhes emprego nos recém-criados órgãos do Governo do Distrito Federal.
Quando achou que tinha o time ideal, tratou de correr atrás de um treinador de nome. Em novembro de 1959, Oswaldão entrou em contato com o Coronel Osmar Soares Dutra, solicitando do mesmo que convidasse Augusto da Costa, ex-jogador do Vasco da Gama e Seleção Brasileira, militante da Polícia Especial do Rio de Janeiro, para servir na GEB - Guarda Especial de Brasília. Augusto da Costa então passou a desempenhar suas funções de polícia e técnico de futebol do Guará.

Em 5 de maio de 1960, Oswaldão, tomou posse no cargo de Presidente do Guará, em substituição a Carlindo Cruz. Passou a ser uma espécie de faz de tudo no Guará.
Em 30 de março de 1962, o Clube de Regatas Guará colocou em circulação o primeiro número do “Boletim Informativo do Guará”. Um dos maiores responsáveis por esse acontecimento foi Oswaldão, juntamente com Omar Martins e Carlindo Ribeiro da Cruz, então presidente do clube.

Todo o imenso esforço que Oswaldão fez pelo Guará, nos quase dez anos que militou no futebol brasiliense, rendeu apenas um título ao Guará, o de campeão do Torneio “Prefeito Paulo de Tarso”, em 1961.



quinta-feira, 7 de setembro de 2023

CRAQUES DE ONTEM E DE HOJE: Raspinha (in memoriam)


Quando iniciamos as nossas pesquisas sobre o futebol brasiliense, em 1999, uma das primeiras pessoas que procuramos foi justamente o Raspinha, que nos recebeu em sua casa, na Vila Planalto, para contar um pouco de sua história no futebol do DF, tanto como goleiro, quanto como massagista. Além disso, nos emprestou, para digitalização, várias fotografias antigas.

Antônio Serafim Filho, o Raspinha, nasceu em Uberaba (MG), no dia 7 de setembro de 1930.
Sempre como goleiro, iniciou sua carreira no futebol em Cravinhos, interior de São Paulo, onde fez uma longa peregrinação, depois defendendo a A. A. Francana, A. D. Araraquara, Sertãozinho e Santa Rosa.
Transferiu-se para o Paraná e defendeu o Nacional, de Rolândia, o C. R. E. Apucaranense, de Apucarana, e o E. C. Comercial, de Cornélio Procópio.
Voltou ao seu estado natal e defendeu o Paraisense, de São Sebastião do Paraíso.

Planalto
Em Goiás, jogou no Goianésia, Ceres e Goiânia.
Em Brasília, assinou contrato em 15 de setembro de 1960, com o Planalto. Disputou o campeonato brasiliense nos anos de 1960 a 1962.
De forma oficial, estreou com a camisa número 1 do Planalto no dia 25 de setembro de 1960, na vitória de 3 x 2 sobre o Defelê. A formação do Planalto foi a seguinte: Raspinha, Ventura e Ferreira; Japonês, Edson e Nilo; Ferrete, Negrinho, Ruy, Pedrinho e Rhodes.
Foi convocado para a primeira seleção de futebol de Brasília, que disputou o amistoso no dia 16 de abril de 1961, contra a seleção de Goiás. Apesar de ser convocado, não participou do jogo que terminou com vitória goiana por 1 x 0.
Poucos dias depois, 21 de abril de 1961, novamente foi convocado para o jogo contra o Santos (derrota de 4 x 0), e permaneceu no banco de reservas.

Primeira seleção do DF
No ano de 1963, disputou poucos jogos pelo Rabello no campeonato brasiliense.
Depois jogou seguidamente por Pederneiras (1964) e Guanabara (1965).
Sua última participação como jogador foi no dia 29 de novembro de 1970, quando seu clube, a S. E. Serveng Civilsan, empatou com o Grêmio em 0 x 0. Nessa ocasião, substituiu o ponteiro Procópio, para ir jogar no gol, pois o goleiro titular da equipe, Maracanã, foi expulso. A Serveng-Civilsan atuou com Maracanã, Nazo, Triste, Didi e Wilson; Azulinho e Nenê; Procópio (Raspinha), Arnaldo, Invasão e Da Silva (Manoelzinho). Técnico: Hector Gritta.
No mesmo ano de 1970, iniciou a carreira de massagista. Trabalhou no Defelê, Ceub, Demabra (Bandeirante), Gama, de 1977 a 1979, Taguatinga (onde foi campeão brasiliense), Brasília, Guará, onde foi vice-campeão e treinador de goleiro por muito tempo, e Sobradinho.
Além do futebol, esteve por 19 anos na AABB, Tiradentes, Minas Brasília Tênis Clube e Assefe.
Faleceu no dia 2 de junho de 2018, aos 87 anos.





segunda-feira, 10 de julho de 2023

PERSONAGENS & PERSONALIDADES DO FUTEBOL BRASILIENSE: Wander Abdalla



Wander Marques Abdalla nasceu em 20 de maio de 1937, em Conquista, pequeno município localizado na região de Uberaba, no Triângulo Mineiro.
Começou sua carreira no futebol como jogador do Ponte Alta, clube que defendeu de 1954 a 1957 e que disputava o campeonato da Liga de Uberaba.
No início do ano de 1958, chegou a fazer testes no América, de Belo Horizonte (MG). Nesta época, os dirigentes do Bela Vista, de Sete Lagoas (MG), encontravam-se na capital mineira, à procura de reforços para o campeonato estadual. Chegando ao América, seu treinador o indicou para o clube de Sete Lagoas. No Bela Vista, disputou o turno de classificação do Campeonato Mineiro de 1958, atuando com médio-volante. Ainda neste ano, sagrou-se campeão do Torneio “Mário Gomes”, ao empatar com o Pedro Leopoldo (1 x 1). No jogo realizado na vizinha cidade de Pedro Leopoldo, Wander jogou na posição de zagueiro-direito.
Em fevereiro de 1959 foi treinar no Goiânia (GO), não ingressando no então bicampeão goiano, pois era profissional e para atuar no futebol de Goiás deveria acontecer a reversão de profissional para amador. Saindo de Goiânia, resolveu se aventurar e tentar a sorte em Brasília, cidade que oferecia muitas oportunidades de emprego, mas onde fixar residência era uma tarefa árdua e exigia abnegação, pois se encontrava no início de sua construção. Aqui chegou em junho e já no dia 6 de julho de 1959 era admitido como Escriturário da Novacap. Logo, procurou se inteirar dos locais onde se praticava o futebol. Primeiramente, treinou no Guará, passando logo depois para o Grêmio, sendo campeão da cidade em 1959.

Time da EBE
Nos anos de 1960 e 1961, foi bicampeão pelo Defelê, um dos maiores clubes do DF e que ajudou a fundar. Wander e outros funcionários do Departamento de Força e Luz gostavam muito de jogar futebol nas horas de folga, chegando ao ponto de jogarem peladas com bola de meia. A pedido dos seus colegas de trabalho, Wander tomou à frente do projeto de organizar um time de futebol para jogar contra as equipes dos outros Departamentos da Novacap, como DVO, DTU e da empresa EBE. Inicialmente, passou uma lista visando arrecadar fundos para a aquisição de uma bola oficial. Vencida esta etapa, realizou pesquisa para identificar o nível técnico dos funcionários do Departamento. Poucos sabiam realmente jogar futebol, tais como Samuel, Lacir Pedersoli, Ely (filho de Roberto, que acabara de chegar em Brasília e havia sido jogador dos juvenis do Madureira), os outros se esforçavam para completar a equipe.

Defelê
Montada a equipe, reuniu-se com os diretores da empresa, pedindo uma maior participação deles. Quando estes perceberam que a equipe prometia, resolveram ajudar diretamente. Wander começou como jogador e também era o treinador, função que logo abandonou, pois passou a ser mal interpretado por alguns que anteviam um certo protecionismo no fato dele ser praticamente o “dono do time”; assim, com o aval da diretoria da empresa, convidou Waldyr de Carvalho, o Didi, para ser o treinador do clube. O clube, então, passou a adotar um sistema semiprofissional, logo destacando-se como o melhor de Brasília no começo dos anos 60. Por sempre defender os interesses dos jogadores junto a diretoria da empresa, teve um relacionamento difícil com alguns deles. Por toda essa situação, ficou muito visado e entrou na linha de fogo da diretoria.
Quando entendeu que sua participação no Defelê tinha se esgotado, resolveu mudar de ares e, no biênio 1962/1963 esteve na Associação Esportiva Cruzeiro do Sul. O início do seu lado de cartola aflorou ainda mais em 1964, quando criou o Milionários, ironicamente formado com jogadores que estavam parados oficialmente, recrutados por Wander, que era treinador e dono do time. Realizava jogos-exibição por todo o DF. Muitos jogadores deste time voltaram a atividade por muitos anos depois.

Milionários
Abandonou de vez a ideia de ser jogador e, após uma passagem como técnico do Luziânia em 1966, treinou o Defelê, em 1970.
Afastou-se do esporte e passou a se dedicar aos negócios, como empresário do setor de papel, inicialmente trabalhando na Gestetner (1973 a 1976) e, posteriormente, cuidando de sua própria firma, a SP Comercial de Papéis (que funcionou de 1977 a 1985). Nas suas horas de folga, jogava pelo Gerovital F.C., famoso time de peladas de Brasília e integrado por profissionais das mais diversas áreas de trabalho.
Retornou ao futebol em 1976, contratado para supervisionar o Departamento de Futebol Profissional do Grêmio Esportivo Brasiliense, que também voltava a disputar competições oficiais. Chegou a deixar o cargo, depois de se desentender com o Diretor de Futebol, Antônio Martins Filho, situação contornada depois de uma boa conversa. O Grêmio sagrou-se campeão do Torneio Imprensa, a primeira competição oficial da nova fase do futebol do Distrito Federal. 
Grêmio
De 1981 a 1983 foi Vice-Presidente de Futebol do Taguatinga E.C. Sagrou-se campeão brasiliense em 1981, garantindo vaga na Taça de Ouro da CBF. Deixou o Taguatinga e passou a ser Supervisor do Guará na Taça de Prata de 1983. No início de 1984 voltou a ser Diretor de Futebol do Taguatinga. Chegou a ser o treinador da equipe no jogo de abertura do Torneio Seletivo. Além do seu envolvimento com a administração dos clubes, encontrava tempo para se dedicar a outros eventos em prol do futebol brasiliense, chegando a promover, em dezembro de 1984, juntamente com o preparador físico Marreta, a festa de encerramento das atividades do futebol de Brasília, reunindo uma equipe de ex-jogadores e jogadores do futebol profissional do DF atuava contra uma equipe de Brasília. O encontro tem por objetivo reunir em congraçamento todos os que fazem e lutam pelo desenvolvimento do futebol brasiliense. 
Em janeiro de 1985 apresentou proposta de trabalho no sentido de tornar a equipe do Gama novamente competitiva; juntamente com o ortopedista Flory Machado, associou-se ao clube (passando a ser seu Vice-Presidente de Futebol) para implantar uma nova política administrativa no futebol. 
Em 1986, foi um dos candidatos à Presidência da Federação Metropolitana de Futebol, concorrendo com mais duas chapas, lideradas por Hezir Espíndola (apoiada pelo governador José Aparecido), e Wagner Marques, ex-presidente do Brasília E. C. Wander era, na opinião dos jornalistas esportivos, o candidato favorito às eleições para a FMF. Apesar disso, não ganhou. A eleição aconteceu em 10 de março e o eleito foi Wagner Marques, de uma forma que até hoje ninguém consegue explicar, pois todos apoiavam Wander Abdalla e, de repente, mudaram de opinião.

Com alguns veteranos do futebol do DF
Retornou ao Taguatinga em 1987, tornando-se Vice-Presidente de Futebol. Graças a um trabalho perseverante que foi realizado nos bastidores por Wander Abdalla, o bicampeão mundial Nilton Santos, a “Enciclopédia do Futebol”, tornou-se treinador do Taguatinga no mesmo ano. Aclamado por unanimidade pelos 21 conselheiros do clube, tornou-se presidente do Clube de Regatas Guará, em 1988, permanecendo à frente do clube até o final de 1991. Conseguiu envolver o quadro de conselheiros, os empresários e a torcida, todos com uma parcela de contribuição que juntos reergueram o Guará. Quando assumiu, encontrou o futebol do clube sem a menor estrutura: não tinha time nem comissão técnica. 
Em 1989, convidou outro bicampeão mundial, Djalma Santos, para ser treinador do Guará; promoveu o retorno do artilheiro Beijoca, contratando também Ataliba e Mauro, dois ex-jogadores do Corinthians. O Guará disputou as finais do campeonato brasiliense. Antes de se afastar novamente do futebol, teve uma rápida passagem pelo Ceilândia. 
Em 14 de novembro de 2007, foi nomeado para exercer cargo em comissão na Secretaria de Esportes do Distrito Federal.
Hoje Wander acompanha o futebol pela TV e raramente vai aos estádios.




sábado, 25 de abril de 2020

OS PIONEIROS: Ramiro


Zé Paulo, Negrito, Walmir, Lima, Quincas e Zé Grillo;
Ramiro, Alaor Capella, Solon, Gaúcho e Pará

Raimundo Ramiro Sampaio Carneiro, o Ramiro, nasceu em Coroatá (MA), no dia 25 de abril de 1939.
Atuava como ponteiro direito.
Começou a jogar futebol no Rio Negro, de Teresina (PI), transferindo-se para o Defelê em 1960, onde se sagrou tricampeão brasiliense de futebol nos anos de 1960 (disputou sete jogos e marcou quatro gols), 1961 (14 jogos) e 1962 (17 jogos).
No Rabello, atuou em 1963 e 1964, sagrando-se campeão brasiliense de profissionais em 1964.
Voltou ao Defelê, onde atuou nos anos de 1967 e 1968, neste último ano conquistando mais um título de campeão brasiliense.
Foi convocado uma vez para a Seleção do DF, que empatou com o Fluminense, do Rio de Janeiro, em 2 x 2, no dia 24 de maio de 1961.



sábado, 28 de março de 2020

OS PIONEIROS: Juan Herrera


Na primeira Seleção de Brasília, em 1961, como
preparador físico (o primeiro, à esquerda, agachado)
Juan Antônio Valdez Herrera começou no futebol do seu País, o Chile, na equipe do Club Universidad de Chile, de Santiago.
Depois foi contratado pelo Atlanta, da Argentina, em 1955. Na Argentina, trabalhou também no Chacarita Juniors e com esse clube viajou para a Europa em 1956.
Depois, esteve quatro meses no Paraguai, sete na Bolívia e dez no Equador.
Depois de muitas andanças veio para o Brasil. Isso aconteceu quando o técnico chileno Fernando Riera o encaminhou ao técnico Zezé Moreira, que estava no Fluminense, do Rio de Janeiro, onde Herrera permaneceu por cinco meses, trabalhando com os quadros das categorias de base e também dos aspirantes.
Participou da desastrosa excursão realizada pelo Bela Vista, de Sete Lagoas (MG), à Europa, em 1958, e depois no Curvelo, também do interior mineiro.
Trabalhou um ano como Auxiliar de Filpo Nuñez no Jabaquara, de Santos, e passou pelo Atlético e América, ambos de Belo Horizonte.
Resolveu, então, conhecer Brasília, e no dia 5 de junho de 1960 assumiu o comando do Guará. Uma semana depois, o Guará goleava o Goiás, por 6 x 0.
Ainda em 1960, mais precisamente em 26 de outubro, passou a trabalhar no SAMDU (Serviço de Assistência Médica Domiciliar e de Urgência).
No começo de 1961 foi dispensado das funções de técnico do Guará e passou a ser Auxiliar Técnico do treinador Rubens Porfírio no mesmo clube.
Em abril de 1962, embarcou para o Chile a fim de colaborar com o treinador Fernando Riera, desempenhando a mesma função que havia feito nos jogos em que a seleção chilena enfrentou a brasileira no Maracanã e no Pacaembu, em 1959. No Chile ficou seis meses, retornando depois a Brasília, onde ficou apenas dois meses no Defelê.
No segundo semestre de 1963, estava no Cruzeiro do Sul, de Brasília, como preparador físico e se transferiu para o Goiás E. C., onde também desempenharia a mesm função. Permaneceu no Goiás por cerca de quatro meses, foi para o JK, de Morrinhos (GO) e passou a ser o responsável pelo preparo físico e técnico dos quadros de todas as divisões do Ipiranga, de Anápolis (GO), onde conseguiu levantar o campeonato estadual na categoria de juvenis.
Ainda em 1964, voltou ao futebol do DF e foi treinador do recém-criado 1º de Maio, um dos clubes que disputou o primeiro campeonato profissional de Brasília neste ano.
Seu último clube no DF, em 1965, seria o Guará.
Foi, então, para o futebol de Minas Gerais, onde permaneceu duas temporadas no Valeriodoce, de Itabira, indo depois para o Formiga, onde ficou seis meses.
Foi nessa época que recebeu convite do Sergipe, de Aracaju. Mas um outro convite levou-o até o Millonarios, de Bogotá (Colômbia). Sua passagem por lá durou seis meses, retornando novamente ao Brasil, quando passou a desempenhar as funções de empresário de futebol.



sábado, 1 de setembro de 2018

OS PIONEIROS: Rosalvo Azevedo


Rosalvo Freire de Azevedo nasceu em Salvador (BA), em 15 de junho de 1929.
Jornalista, professor e publicitário, começou sua carreira em Belo Horizonte (MG), na Rádio Guarani, em 1951.
Em 1952, foi para o Rio de Janeiro. Colaborou no jornal Última Hora, com o saudoso Albert Lawrence, e na Rádio Clube do Brasil, com Raul Longras.
Chegou a Brasília em 1958. Passou a integrar a equipe de esportes da Rádio Nacional, em 1960, onde permaneceu até 1976.
Exerceu diversos cargos de chefia na emissora e comandou a equipe de esportes que cobriu a Copa do Mundo de 1974, na Alemanha, e 1978, na Argentina.
Comentarista esportivo muito premiado, foi o melhor do ano no período de 1972 a 1975. Ganhou a Bola de Ouro, prêmio carioca, em 1974 e 1975.
“Na Rota do Esporte”, programa que criou e dirigia na TV Nacional, levou a Brasília as grandes expressões do esporte nacional, liderou a audiência durante três anos e transformou Rosalvo no cronista mais famoso de Brasília.
Fora dos estúdios das rádios e TV, Rosalvo foi Presidente da Associação Comercial de Sobradinho em 1962, Diretor de Futebol do Defelê em 1966 e 1967 e fez parte do Grupo Técnico de Trabalho para a formação do selecionado de juvenis do Distrito Federal que disputaria o Grupo III do V Campeonato Brasileiro de Futebol Amador, em janeiro de 1967 (por livre e espontânea vontade deixou esse grupo antes da realização do certame).
No time dos jornalistas, com Nilson Nelson
 à sua direita
Foi membro da Diretoria Executiva do Sindicato dos Publicitários de Brasília em 1975, mesmo ano em que foi um dos promotores do amistoso Vasco da Gama x Seleção da FUGAP, no dia 20 de dezembro de 1975, em benefício do jogador Jorginho Carvoeiro, em Brasília.
Também trabalhou como Superintendente do Brasília Esporte Clube em 1976 e sempre que o tempo permitia, integrava o time dos cronistas esportivos nos vários amistosos realizados entre veteranos das várias categorias de profissionais de Brasília.



domingo, 3 de junho de 2018

OS PIONEIROS: a nova diretoria da Federação Desportiva de Brasília - 1960


Adelchi Ziller
Após um intervalo bastante grande, de quase 15 meses, aconteceram eleições para ser escolhida a nova diretoria da Federação Desportiva de Brasília. A reunião foi realizada no dia 3 de junho de 1960, às 20 horas, na Associação Comercial de Brasília, no Núcleo Bandeirante.
Muitos dos clubes que participaram da primeira reunião (16 de março de 1959) deixaram de existir. Outros se filiaram.
Eram os seguintes os clubes filiados a FDB: A. A. Brasília (IAPI), A. A. Brasília Palace, A. D. de Taguatinga, A. E. EBE, A. A. Bancária, Assiban (IAPB), Brasil E. C. (Coenge), Brasil Central A. C., C. C. Nacional, C. R. Guará, E. C. Brasília (IPASE), E. C. Planalto, Expansão F. C. (SAPS), Grêmio Esportivo Brasiliense, Novo Horizonte F. C. (IAPETC), Rabello F. C., E. C. Radium (Rádio Nacional), Ribeiro F. C., Kosmos e Pacheco Fernandes Dantas F. C.
Apesar do elevado número de filiados, somente seis representantes de clubes compareceram para votar: Décio de Souza Reis (Brasil Central), Laércio Lamounier (Grêmio), Dirceu Basílio (Planalto), Petrônio de Carvalho (Guará), Ricardo P. Leopold (A. D. de Taguatinga) e José Paulo (Ribeiro).
Orlando Gaglionone, Presidente em exercício, e Luís Gonzaga Contart, Diretor de Futebol, apresentaram seus pedidos de renúncia.
O novo presidente da Federação Desportiva de Brasília foi o radialista mineiro Adelchi Leonello Ziller, diretor da Rádio Nacional de Brasília desde setembro de 1959.
Os demais cargos foram assim preenchidos:
1º Vice-Presidente - Jardel Noronha de Oliveira
2º Vice-Presidente - Domingos Gusmão da Cunha.
3º Vice-Presidente – Lincoln A. Horta
Conselho Fiscal - Efetivos: Inezil Penna Marinho, Agnelo Paz Sobreira e José Severiano da Costa Andrade; Suplentes: Geraldo Costa Manso, Cássio Elízio Figueiredo Damásio e Ary Mafla.
Tribunal de Justiça Desportiva - Efetivos: Hugo Mósca, Lincoln Horta, Henrique Diniz de Andrada, Nery Kurtz, Roberto Meira Castro, Cláudio Lacombe, Marcelo Varela e Daniel Aarão Reis. Foram convidados e por diversos motivos não puderam ser empossados: Senador Arlindo Rodrigues Gomes, Deputado Vasconcelos Torres, Deputado Brígido Tinoco e Fausto Vasconcelos Padrão. Os suplentes eram Carlos Augusto Palhares, Jonas Bahiense, José Carlos Baleeiro e Moacyr Belchior.
Foram também escolhidos os seguintes diretores:
Diretor Secretário - Décio de Souza Reis.
Diretor Tesoureiro - Flávio Brun Von Sperling.
Diretor de Relações Públicas - Luiz Gonzaga Contart.
Diretor de Futebol - Augusto da Costa.
Também foram nomeados os diretores de Atletismo, Basquetebol, Ciclismo, Futebol de Salão, Natação, Tênis de Mesa, Voleibol e Xadrez, modalidades esportivas controladas pela FDB.
José Ramos de Freitas foi escolhido para ser o representante da FDB junto às confederações esportivas e ao Conselho Nacional de Desportos.
A FDB recomendou aos filiados que tomassem providências no sentido de registrar em cartório os seus estatutos.
Com o passar do tempo, os clubes iam tendo seus estatutos aprovados e comunicando constituição de sua diretoria.
O primeiro clube a remeter cópia de seus estatutos, solicitando encaminhamento para registro e aprovação, foi o Clube de Regatas Guará.



sábado, 5 de maio de 2018

OS PIONEIROS: Luiz Contart



A Federação Desportiva de Brasília foi fundada em 16 de março de 1959. Nesta ocasião, o nome de Luiz Contart foi lembrado para concorrer a dois cargos. Para Primeiro Vice-Presidente, Luiz Contart e Orlando Gaglionone terminaram empatados, ambos com quatro votos. Como a votação estivesse empatada, novo escrutínio foi realizado, que apresentou o seguinte resultado: Orlando Gaglionone, seis votos; Luiz Contart, cinco votos e um voto em branco.
Como Segundo Vice-Presidente Luiz Contart teve dois votos, sendo superado por Teodoro Bayma de Carvalho, com cinco votos (Acary de Oliveira e Arthur Salviano tiveram um voto).
Na reunião seguinte, no dia 1º de abril de 1959, além de receber novos clubes filiados, a Federação Desportiva de Brasília criou os seus departamentos especializados, tendo, para o Departamento de Futebol sido eleito Luiz Gonzaga Contart, o qual promoveu diversas reuniões com os clubes inscritos no Departamento, em número de 20, para a disputa do primeiro campeonato de futebol da cidade.
Posteriormente, com a desistência do CAPFESP, este número ficou reduzido a 19 clubes, que disputaram, no dia 24 de maio de 1959, no campo do Clube de Regatas Guará, denominado Estádio Provisório “Israel Pinheiro”, cercado de madeira em apenas poucos dias, dotado de alambrado e palanque, o 1º Torneio Início de Futebol em Brasília.
Foi a festa esportiva mais empolgante já realizada em Brasília. Os 19 clubes disputantes realizaram o desfile inaugural, todos devidamente uniformizados, com a presença de autoridades e um numeroso público.
Luiz Contart foi um dos fundadores do Esporte Clube Planalto (em 1959), um dos primeiros times de futebol da Nova Capital do País.
Ainda em Brasília Luiz Contart foi o primeiro Presidente da Associação Brasiliense de Cronistas Desportivos (1961), Assessor de Imprensa da NOVACAP (órgão do Governo do Distrito Federal), Diretor de Relações Públicas da Federação Desportiva de Brasília, Diretor de Publicidade do clube social Motonáutica e proprietário da agência de publicidade Contato Promoções e Negócios.

Luiz Gonzaga Contart nasceu em Ituverava (SP) em 5 de maio de 1925. Mudou-se, com seus pais, para Goiânia, em 1934. Depois de participar de diversos cursos de especialização, dedicou-se à profissão de jornalista. Foi diretor do Sindicato de Jornalistas Profissionais, Conselheiro e Vice-Presidente da Associação Goiana de Imprensa. Foi diretor da Rádio Alvorada, Rádio Independência e do jornal Diário Carioca-Brasília, o primeiro diário da nova Capital a divulgar o futebol em suas páginas.
Em 1965, retornou a Goiânia, passando a trabalhar numa agência de publicidade. Trabalhou nos jornais Cinco de Março e Diário da Manhã. De 1950 a 1954 foi eleito Vereador de Goiânia pelo PSB. Presidente da Câmara Municipal de Goiânia, recebeu em 1998 o título de Cidadão Goianiense.

Publicou dezenas de livros.
Soube reunir atributos intelectuais e morais que o fizeram digno de menção, sendo homenageado em Goiânia como nome de unidade escolar, o Colégio Estadual Jornalista Luiz Gonzaga Contart.
Apaixonado pelo futebol, Luiz Contart também foi diretor da Federação Goiana de Futebol.
Depois de uma vida de lutas e sacrifícios, dedicação e devotamento à causa social, política e cultura, faleceu Luiz Gonzaga Contart em Goiânia em 4 de setembro de 2001, aos 76 anos de idade.



sexta-feira, 9 de março de 2018

OS PIONEIROS: morreu Almir Vieira!


Só agora tivemos conhecimento do falecimento, em 5 de março último, aos 91 anos, do pioneiro Almir Vieira, e recorremos aos nossos alfarrábios para prestar essa pequena homenagem a ele, que, para quem não sabe, dedicou uma boa parte de sua vida ao futebol de Brasília.

Almir de Azevedo Vieira nasceu no Rio de Janeiro (RJ), em 16 de abril de 1926.
Jogou futebol no juvenil do São Cristóvão, Vasco da Gama e América, e como profissional defendeu o Água Verde, do Paraná, São Cristóvão e América. Foi também aspirante do Vasco da Gama.
Almir chegou a Brasília em maio de 1957. Ele veio para a cidade sem ter onde morar, apenas com a promessa de que trabalharia no Hospital Juscelino Kubitschek de Oliveira (HJKO), unidade de saúde pioneira do Distrito Federal, do qual foi o primeiro administrador.
Titular da Delegacia Regional do Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Industriários - IAPI, ajudou a construir um dos primeiros campos de futebol da cidade, nas proximidades do Hospital do IAPI (que tinha um time de futebol), onde houve a Invasão do IAPI. Além disso, passou pelos diversos clubes das autarquias daquela época.
Como atleta em Brasília, Almir só chegou a disputar um torneio da Previdência Social, na quadra do IPASE, hoje 208 Sul, mas não foi campeão.
Almir ficou afastado do futebol até 1965, quando levou o Clube Inapiário a campeão mirim em um torneio entre previdenciários.
No mesmo ano, fez parte do Conselho Deliberativo do Clube de Regatas do Guará.
Também foi diretor do Cota Mil, do Clube dos Previdenciários e do Monte Líbano.
No começo dos anos 70, foi Gerente de Divisão do Banco Halles de Investimento, logo depois promovido ao cargo de Diretor-Geral de Vendas da empresa.
Querido por uns e odiado por outros, Almir Vieira ia promovendo as equipes por onde passava.
1979: com Alberto Teixeira, presidente do Sobradinho
Passou a se dedicar mais ao futebol do DF a partir de 1976, quando foi implantado em definitivo o profissionalismo, no Grêmio Esportivo Brasiliense, onde trabalhou como Vice-Presidente nos anos de 1976 e 1977.
Também em 1976, foi supervisor da Seleção Juvenil do Distrito Federal no Campeonato Brasileiro de seleções dessa categoria.
No dia 3 de fevereiro de 1977, foi efetivado como Diretor Administrativo da Federação Metropolitana de Futebol.
Logo depois, foi o Supervisor da seleção profissional do DF que enfrentou o Atlético Mineiro, nas comemorações do 17º aniversário de Brasília.
Em 10 de janeiro de 1978 foi eleito Vice-Presidente do S. C. Corinthians, do Guará, até a fusão desta agremiação com o Humaitá e que proporcionou o retorno do Clube de Regatas Guará ao futebol do DF.
Em 1978, quando o Guará foi vice-campeão brasiliense e campeão do Torneio Seletivo ao Campeonato Brasileiro, Almir Vieira era o vice-presidente. Ficou no Guará até princípio de 1979.
Em 1979, a convite de Márcio Tannus, foi para o Gama. Ficou como observador durante o primeiro turno, quando o clube obteve a última colocação. Assumindo a Vice-Presidência do futebol profissional começou a agir, trazendo Martim Francisco para ser o treinador da equipe. E daí, começou a sua “estrela a brilhar”. Campeão brasiliense pela primeira vez em sua história, o Gama ingressou no Campeonato Brasileiro neste ano como único representante, tudo produto do seu trabalho.
Foi eleito o melhor dirigente esportivo do Campeonato Brasiliense de 1979 pela ABCD
No Brasília, assumiu como Supervisor em 1980, com total autonomia dentro do departamento de futebol profissional. Quando ingressou, o clube vivia uma situação tumultuada. Para melhorar teve que tomar decisões violentas. Vendeu e emprestou quase um time inteiro. Recebeu críticas de dirigentes, de torcedores e da própria imprensa, mas continuou seu trabalho trazendo novos elementos e um novo treinador. O Brasília foi campeão invicto de juniores e profissionais.
1983: preleção aos jogadores do Brasília;
ao seu lado esquerdo, o treinador Bugue
Uma passagem curiosa de Almir Vieira pelo Brasília.
No dia 16 de fevereiro de 1981, o Brasília foi a Porto Alegre enfrentar o Grêmio, pelo Campeonato Brasileiro daquele ano. O Grêmio venceu aquele campeonato e dois anos depois conquistaria a América e o Mundo. Em pleno Estádio Olímpico, o Brasília venceu por 2 x 1, deixando atônitos os torcedores que lá estiveram naquele dia.
Eis um resumo do que o jornal Correio Braziliense publicou no dia do jogo:
“Hoje, a frágil equipe do Brasília enfrenta o Grêmio no estádio Olímpico da capital gaúcha. Seriamente abalado pelas constantes derrotas e desfigurado taticamente, o Brasília era sério candidato a levar uma de suas maiores goleadas no encontro com o tricolor gaúcho. Bastante desgastado e completamente desacreditado pela torcida, o supervisor Almir Vieira ainda tenta mostrar um otimismo irreal, ao dizer que o Brasília vencerá o Grêmio: “Estamos aqui em Porto Alegre com o firme propósito de deixar o estádio Olímpico com uma bela vitória sobre o Grêmio. Acredito em nosso time e não poderia ser diferente e vamos conseguir a classificação”.
No mesmo ano de 1981, Almir Vieira voltou ao Gama. Campeão do I Torneio Centro-Oeste neste ano, logo depois deixou o clube, quando discutiu com o então Administrador Regional Valmir Campelo, porque o governante não queria liberar o Estádio Bezerrão para treinos da equipe.
Foi o Supervisor na Seleção do DF que disputou dois jogos contra a Seleção de SC em julho de 1983, em benefício das vítimas das enchentes que assolaram o sul do Brasil.
No dia 15 de dezembro de 1983, foi o Supervisor da seleção brasiliense que enfrentou uma seleção brasileira de novos.
Novamente foi o Supervisor escolhido pela federação para trabalhar junto à seleção do DF que enfrentou, no dia 5 de julho de 1987, Estádio Mané Garrincha, o Flamengo, do Rio de Janeiro.
Por duas ocasiões, Almir Vieira também trabalhou como treinador. A primeira delas, em 1989, quando comandou o Gama em seis jogos. A segunda foi em 1993: no Brasília, esteve à frente da equipe em 16 jogos, o último deles em 13 de junho de 1993, no Augustinho Lima, no empate em 0 x 0 entre Brasília e Sobradinho. Essa foi sua última participação no futebol brasiliense.

Fontes:
Correio Braziliense
Jornal de Brasília
Memorial Gamense