domingo, 20 de maio de 2018

OS PIONEIROS: Wander Abdalla



Wander Marques Abdalla nasceu em 20 de maio de 1937, em Conquista, pequeno município localizado na região de Uberaba, no Triângulo Mineiro.
Começou sua carreira no futebol como jogador do Ponte Alta, clube que defendeu de 1954 a 1957 e que disputava o campeonato da Liga de Uberaba.
No início do ano de 1958, chegou a fazer testes no América, de Belo Horizonte (MG). Nesta época, os dirigentes do Bela Vista, de Sete Lagoas (MG), encontravam-se na capital mineira, à procura de reforços para o campeonato estadual. Chegando ao América, seu treinador o indicou para o clube de Sete Lagoas. No Bela Vista, disputou o turno de classificação do Campeonato Mineiro de 1958, atuando com médio-volante. Ainda neste ano, sagrou-se campeão do Torneio “Mário Gomes”, ao empatar com o Pedro Leopoldo (1 x 1). No jogo realizado na vizinha cidade de Pedro Leopoldo, Wander jogou na posição de zagueiro-direito.
Em fevereiro de 1959 foi treinar no Goiânia (GO), não ingressando no então bicampeão goiano, pois era profissional e para atuar no futebol de Goiás deveria acontecer a reversão de profissional para amador. Saindo de Goiânia, resolveu se aventurar e tentar a sorte em Brasília, cidade que oferecia muitas oportunidades de emprego, mas onde fixar residência era uma tarefa árdua e exigia abnegação, pois se encontrava no início de sua construção. Aqui chegou em junho e já no dia 6 de julho de 1959 era admitido como Escriturário da Novacap. Logo, procurou se inteirar dos locais onde se praticava o futebol. Primeiramente, treinou no Guará, passando logo depois para o Grêmio, sendo campeão da cidade em 1959.
Time da EBE
Nos anos de 1960 e 1961, foi bicampeão pelo Defelê, um dos maiores clubes do DF e que ajudou a fundar. Wander e outros funcionários do Departamento de Força e Luz gostavam muito de jogar futebol nas horas de folga, chegando ao ponto de jogarem peladas com bola de meia. A pedido dos seus colegas de trabalho, Wander tomou à frente do projeto de organizar um time de futebol para jogar contra as equipes dos outros Departamentos da Novacap, como DVO, DTU e da empresa EBE. Inicialmente, passou uma lista visando arrecadar fundos para a aquisição de uma bola oficial. Vencida esta etapa, realizou pesquisa para identificar o nível técnico dos funcionários do Departamento. Poucos sabiam realmente jogar futebol, tais como Samuel, Lacir Pedersoli, Ely (filho de Roberto, que acabara de chegar em Brasília e havia sido jogador dos juvenis do Madureira), os outros se esforçavam para completar a equipe. Montada a equipe, reuniu-se com os diretores da empresa, pedindo uma maior participação deles. Quando estes perceberam que a equipe prometia, resolveram ajudar diretamente.
Defelê
Wander começou como jogador e também era o treinador, função que logo abandonou, pois passou a ser mal interpretado por alguns que anteviam um certo protecionismo no fato dele ser praticamente o “dono do time”; assim, com o aval da diretoria da empresa, convidou Waldyr de Carvalho, o Didi, para ser o treinador do clube. O clube, então, passou a adotar um sistema semiprofissional, logo destacando-se como o melhor de Brasília no começo dos anos 60. Por sempre defender os interesses dos jogadores junto a diretoria da empresa, teve um relacionamento difícil com alguns deles. Por toda essa situação, ficou muito visado e entrou na linha de fogo da diretoria.
Quando entendeu que sua participação no Defelê tinha se esgotado, resolveu mudar de ares e, no biênio 1962/1963 esteve na Associação Esportiva Cruzeiro do Sul. O início do seu lado de cartola aflorou ainda mais em 1964, quando criou o Milionários, ironicamente formado com jogadores que estavam parados oficialmente, recrutados por Wander, que era treinador e dono do time. Realizava jogos-exibição por todo o DF. Muitos jogadores deste time voltaram a atividade por muitos anos depois.
Milionários
Abandonou de vez a ideia de ser jogador e, após uma passagem como técnico do Luziânia em 1966, treinou o Defelê, em 1970.
Afastou-se do esporte e passou a se dedicar aos negócios, como empresário do setor de papel, inicialmente trabalhando na Gestetner (1973 a 1976) e, posteriormente, cuidando de sua própria firma, a SP Comercial de Papéis (que funcionou de 1977 a 1985). Nas suas horas de folga, jogava pelo Gerovital F.C., famoso time de peladas de Brasília e integrado por profissionais das mais diversas áreas de trabalho.
Retornou ao futebol em 1976, contratado para supervisionar o Departamento de Futebol Profissional do Grêmio Esportivo Brasiliense, que também voltava a disputar competições oficiais. Chegou a deixar o cargo, depois de se desentender com o Diretor de Futebol, Antônio Martins Filho, situação contornada depois de uma boa conversa. O Grêmio sagrou-se campeão do Torneio Imprensa, a primeira competição oficial da nova fase do futebol do Distrito Federal. 
Grêmio
De 1981 a 1983 foi Vice-Presidente de Futebol do Taguatinga E.C. Sagrou-se campeão brasiliense em 1981, garantindo vaga na Taça de Ouro da CBF. Deixou o Taguatinga e passou a ser Supervisor do Guará na Taça de Prata de 1983. No início de 1984 voltou a ser Diretor de Futebol do Taguatinga. Chegou a ser o treinador da equipe no jogo de abertura do Torneio Seletivo. Além do seu envolvimento com a administração dos clubes, encontrava tempo para se dedicar a outros eventos em prol do futebol brasiliense, chegando a promover, em dezembro de 1984, juntamente com o preparador físico Marreta, a festa de encerramento das atividades do futebol de Brasília, reunindo uma equipe de ex-jogadores e jogadores do futebol profissional do DF atuava contra uma equipe de Brasília. O encontro tem por objetivo reunir em congraçamento todos os que fazem e lutam pelo desenvolvimento do futebol brasiliense. 
Em janeiro de 1985 apresentou proposta de trabalho no sentido de tornar a equipe do Gama novamente competitiva; juntamente com o ortopedista Flory Machado, associou-se ao clube (passando a ser seu Vice-Presidente de Futebol) para implantar uma nova política administrativa no futebol. 
Em 1986, foi um dos candidatos à Presidência da Federação Metropolitana de Futebol, concorrendo com mais duas chapas, lideradas por Hezir Espíndola (apoiada pelo governador José Aparecido), e Wagner Marques, ex-presidente do Brasília E. C. Wander era, na opinião dos jornalistas esportivos, o candidato favorito às eleições para a FMF. Apesar disso, não ganhou. A eleição aconteceu em 10 de março e o eleito foi Wagner Marques, de uma forma que até hoje ninguém consegue explicar, pois todos apoiavam Wander Abdalla e, de repente, mudaram de opinião. 
Com alguns veteranos do futebol do DF
Retornou ao Taguatinga em 1987, tornando-se Vice-Presidente de Futebol. Graças a um trabalho perseverante que foi realizado nos bastidores por Wander Abdalla, o bicampeão mundial Nilton Santos, a “Enciclopédia do Futebol”, tornou-se treinador do Taguatinga no mesmo ano. Aclamado por unanimidade pelos 21 conselheiros do clube, tornou-se presidente do Clube de Regatas Guará, em 1988, permanecendo à frente do clube até o final de 1991. Conseguiu envolver o quadro de conselheiros, os empresários e a torcida, todos com uma parcela de contribuição que juntos reergueram o Guará. Quando assumiu, encontrou o futebol do clube sem a menor estrutura: não tinha time nem comissão técnica. 
Em 1989, convidou outro bicampeão mundial, Djalma Santos, para ser treinador do Guará; promoveu o retorno do artilheiro Beijoca, contratando também Ataliba e Mauro, dois ex-jogadores do Corinthians. O Guará disputou as finais do campeonato brasiliense. Antes de se afastar novamente do futebol, teve uma rápida passagem pelo Ceilândia. 
Em 14 de novembro de 2007, foi nomeado para exercer cargo em comissão na Secretaria de Esportes do Distrito Federal.
Hoje Wander acompanha o futebol pela TV e raramente vai aos estádios.



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