domingo, 2 de agosto de 2026

OS PRESIDENTES: Cipriano Siqueira Filho (in memoriam)


Tivemos conhecimento que no último dia 12 de julho de 2026, o Sr. Cipriano havia falecido. Prestamos nossa homenagem póstuma contando um pouco de sua história.

Cipriano Siqueira Filho nasceu em Uberlândia (MG), em 27 de setembro de 1942. Morava em Uberaba (MG) e de lá veio direto para o Guará, com 17 anos de idade. Chegou em 4 de outubro de 1959. Seu pai e seu tio moravam na beira do córrego próximo à Candangolândia, onde funcionava antigamente a bica d’água que abastecia todos os caminhões que trabalhavam nas obras de construção de Brasília.
Assim que completou 18 anos, foi admitido na Novacap, como ajudante de pedreiro, depois pedreiro, em várias obras de criação da capital. Dois anos depois, passou num concurso público do GDF-Governo do Distrito Federal, onde trabalhou até aposentar-se.
Trabalhou três anos na Administração Regional de Taguatinga e quando o administrador desta veio para o Guará, Cipriano veio com ele. Foram 22 anos na Administração Regional do Guará, onde aposentou como Chefe de Serviço de Administração da Feira do Guará, por seis anos. Aposentou-se como servidor do GDF em 1990, tendo também trabalhado no antigo Departamento de Água e Esgoto (DAE), que deu origem à CAESB.
Cipriano começou a assistir aos jogos do Guará apenas para acompanhar os amigos que, como ele, haviam deixado sua terra natal para ajudar na construção da nova capital do País. Os jogos eram perto da sua casa, no Núcleo Bandeirante, e por isso iam ao estádio.
Quando o Guará se profissionalizou e incentivado por Almir Vieira, Cipriano “vestiu a camisa”. Foi ajudante, chefe de torcida por muito tempo, diretor, até ser eleito Presidente em 1995.
Antes, de 1989 a 1994, o Guará havia sido vice-campeão quatro vezes, ao perder o título em finais para Brasília, Gama, Tiradentes e Taguatinga.
Em um desses anos, 1982, foi provocada uma grande mágoa em Cipriano. Na decisão do campeonato brasiliense desse ano, entre Guará e Brasília, a festa foi preparada bem cedo e seria regada a muita cerveja. Na maior euforia, o então chefe de torcida Cipriano Siqueira conseguiu levar para o Pelezão 600 torcedores uniformizados. Ele confiava tanto no Guará que não vacilou em encher um cavalete com fogos, para acendê-los ao final da partida, na comemoração do título. O Guará havia feito uma grande campanha e estava com jogadores de alto nível. Logo, nada mais compreensível do que preparar uma grande festa. Mas o futebol pregou mais uma de suas peças e o Brasília venceu.
Cipriano resolveu lançar um desafio, de assumir o clube e dar a ele o tão sonhado título de campeão brasiliense.

Incentivado pelo administrador regional Heleno Carvalho, o ex-administrador Francisco Brandes, foi eleito Presidente do clube para a gestão de 1995 a 1997. Juntaram-se a ele no desafio torcedores ilustres do Guará como Manoelino Rodrigues, Alcir Alves de Souza e o ex-supervisor do Taguatinga, Eurípedes Bueno.
O comando do time foi entregue ao ex-goleiro Déo de Carvalho.
No primeiro ano, o Guará foi eliminado nas semifinais, pelo Brasília, que foi vencido pelo Gama na final.
Mas, em 1996, finalmente veio o título. O time foi montado a partir da base vencedora do Taguatinga, formada pelos zagueiros Gilson e Zinha, os meias Marquinhos, Rogerinho e Júlio César. Como era tradição do clube na época, buscou-se um jogador famoso em fim de carreira, para dar experiência ao time e atrair o torcedor. O escolhido foi Éder Aleixo, ex-Seleção Brasileira, com 37 anos na época.
Éder havia atuado no Cruzeiro no ano anterior e ajudou a trazer para o Guará quatro juniores que haviam estourado a idade.
Cumprido o desafio, Cipriano não quis se reeleger para o triênio 1998/2000, quando o Guará chegou a ser rebaixado para a Segunda Divisão do DF.

Cansou da vida difícil de dirigente de futebol em Brasília. Teve muitas decepções, achou que não valia a pena continuar, citando, principalmente, a falta de apoio que experimentou durante a sua administração. Continuou no Guará como conselheiro.
Cipriano também tentou enveredar-se a deputado distrital em 2010, numa dobradinha com o candidato a deputado federal Izalci Lucas. Decepcionado com os 658 votos e a falta de apoio financeiro que deixou uma dívida de R$ 8 mil na época, não quis mais saber de política, mesmo sendo convidado outras vezes para candidatar-se.
Hoje, Cipriano dedica-se aos cinco filhos, incluindo uma de criação, 15 netos, 4 bisnetos e aos programas sociais de uma igreja evangélica.
Em 1991, Cipriano montou uma fábrica na QE 40, que produz camarões empanados e distribui para restaurantes de Brasília. Atualmente, a gerência dos negócios era feita pelo seu filho mais velho, Leandro Siqueira.



sábado, 1 de agosto de 2026

O JACARÉ QUE CRIOU ASAS!

Matéria postada no dia 1º de agosto de 2020

Aniversário de vinte anos do Brasiliense

Por Ricardo Freitas
1º Técnico

Lembro-me como se fosse hoje, o dia em que procurei Dona Alice, da fábrica de material esportivo EWE na Ceilândia, e disse a ela que estava nascendo um bebê e estava sem enxoval. Ela se sensibilizou e assim foi feito às pressas o primeiro uniforme do clube. Era o começo de tudo. Tive liberdade para escolher a Comissão Técnica e jogadores, a maioria da cidade. E assim, demos início aos trabalhos de treinamentos visando à Segunda Divisão.
Diferente do que os pessimistas de plantão naquele início diziam, que seria “um time de verão”, onde muitos não acreditavam na concretização do projeto, o Brasiliense hoje é uma realidade. Pois um homem chamado Luiz Estevão de Oliveira Neto (assessorado na época por Fábio Simão, Bernadete e os colaboradores Cassius e Rony), mesmo vivendo naquele período, seu inferno astral politico, foi persistente e valente. Diante de tantas adversidades, seguiu em frente e tomou gosto pelo “brinquedo caro” que é o futebol.
Já se passaram vinte anos, e aquela criança que na época não tinha o que vestir, tornou-se hoje um adulto consolidado, bem resolvido, com cara, roupa e casa própria. Seus vários títulos conquistados nesta curta trajetória, o coloca como um dos maiores vencedores, corroborando para um currículo invejável, sendo inclusive a única equipe do DF a conquistar dois Campeonatos Brasileiros em divisões distintas.  Sempre citado como uma referência no futebol por sua rápida ascensão, “o Jacaré voou tão alto que criou asas nos pés”!
Por este clube já passaram atletas que se consagraram e merecem ser lembrados, como: Weldon, Gil Baiano, Wellington Dias (em minha opinião o maior ídolo), Donizete, Iranildo, Tiano, Jairo, Deda, Jobson. E outros já consagrados que aqui desfilaram seus talentos, tais como: Marcelinho Carioca, Vampeta, Junior Baiano, Túlio Maravilha, Dimba, Lúcio e tantos mais.  Também cito alguns Técnicos como: Gerson Andreotti, Péricles Chamusca, Mauro Fernandes, Edinho e Reinaldo Gueldini, que também contribuíram na construção dessa história.
Todos estes nomes acima foram importantes para o clube. Mas minha homenagem hoje, passados vinte anos, vai para aqueles que estiveram em campo ou fora dele, naquele feriado de quinta-feira, 7 de setembro de 2000, no acanhado estádio da Metropolitana, no Núcleo Bandeirante, com um pequeno público, que pôde assistir ao primeiro jogo oficial da equipe, na vitória pelo placar de 2 x 0 frente à equipe do Samambaia, válido pelo Campeonato da Segunda Divisão do Distrito Federal. Iniciando assim, há vinte anos, a história do BRASILIENSE FUTEBOL CLUBE.
Assim como a capital Brasília, que ao ser citada, lembram-se dos mentores que a idealizaram; Juscelino, Niemeyer e Lúcio Costa, esquecendo-se dos pioneiros que a construíram, quero nesse aniversário de vinte anos do Brasiliense Futebol Clube, fazer uma referência aos trabalhadores que fizeram seu alicerce, os verdadeiros desbravadores, que não mediram esforços nessa obra. Enfrentaram dificuldades com a pouca estrutura implantada na época, convivendo diariamente nos treinamentos com o mau cheiro do S.L.U, mas que em nenhum momento reclamaram ou desistiram do objetivo principal, fazer o Brasiliense grande!
Obrigado aos bravos jogadores que colocaram a mão na massa: Cledson, Marlucio, Junior, Alfredo, Da Costa, Carlos, Jânio, André Martins, Adnilson, Daniel, Marquinhos, Mica (in memoriam), Thiago, Genilson, Geraldo, Iron, Ésio, Marquinhos Bahia, Nando, Euzébio, Rodrigo Mendes, Alemão, Alisson, Eduardo, Marcelo Henrique, Vavá, Beto e Marcelo França.
Obrigado também aos mestres de obra, minha comissão técnica que literalmente vestiu o uniforme, Giovane Tomé (Preparador de goleiros e Auxiliar Técnico), Alexandre Coutinho (Preparador Físico), Junior (Auxiliar de Preparador de Goleiros), Márcio Heuser (Supervisor), Tião Magu (Massagista) - in memoriam, Jonatas (Roupeiro) e Dr. Othon (Médico).
Agradeço a confiança depositada, e por fazer parte deste projeto, mesmo com uma mínima contribuição, mas com um valor imensurável para mim e companheiros.
Embora eu tenha voltado ao clube em outras oportunidades, como em 2003, como Gerente, e em 2009, como Auxiliar Técnico, hoje venho especificamente relembrar o início de tudo. Pois o tempo não vai apagar que fizemos parte do primeiro capítulo de uma longa e exitosa história, que por muito tempo ainda continuará a ser escrita.  

PARABÉNS PELOS VINTE ANOS DE HISTÓRIA BRASILIENSE FUTEBOL CLUBE!

PRIMEIRA COMISSÃO TÉCNICA: JONATAS (Roupeiro), TIÃO (Massagista), JUNIOR (Preparador de Goleiros), RICARDO (Técnico), 
ALEXANDRE (Prepador Físico), GIOVANE (Auxiliar Técnico) e MÁRCIO (Supervisor). 

Luiz Estevão em preleção na véspera da semifinal

Jogo final: Brasiliense 2 x 0 ARUC

Convocação para o primeiro jogo

Primeira camisa feita (não chegou a ser usada)