domingo, 9 de novembro de 2014

OS CAMPEÕES: Rabello - 1966



Nos 12 jogos que o Rabello disputou para conquistar o título de campeão brasiliense de profissionais de 1966, utilizou os seguintes jogadores:

POS
APELIDO
NOME COMPLETO
JD
GM/GS
G
Dico
Frederico Chimiti Neto
2
2
G
Zé Walter
José Walter Girão de Mello
11
12
Z
Aderbal
Aderbal da Silva Carvalho
12
Z
Jair
Jair Mizael da Silva
5
Z
Mello
Moacyr Tremendani dos Santos
8
Z
Gegê
Geraldo Bernardino de Mello
3
Z
Carlão
Carlos Fernandes Tomaz
10
MC
João Dutra
João Dutra Correa
7
MC
Zé Maria
José Maria Eufrásio de Oliveira
10
3
Z
J. Pereira
José da Conceição Pereira de Souza
1
Z
Didi
Paulo Barros da Costa
5
A
Augustin
Augustin Guiotti
2
A
Zezé
José Gomes Pereira
9
4
A
Valmir
Valmir Ângelo Gomes
3
2
MC
Beto Pretti
Alberto José Pretti Filho
10
2
MC
Zoca
Osvaldo Costa Lemos
5
2
A
Roberto
José Roberto Silva
9
4
A
Otávio
Otávio Augusto Barbosa
10
9
A
Invasão
Jorge da Silva Nunes
6
1
A
Arnaldo
Arnaldo Gomes
5
A
Reinaldo
Reinaldo do Amaral
7
3
G
GOLEIRO
JD = JOGOS DISPUTADOS
D
DEFENSOR
GM = GOLS MARCADOS
MC
MEIO-DE-CAMPO
GS = GOLS SOFRIDOS
A
ATACANTE


sexta-feira, 7 de novembro de 2014

AS SELEÇÕES DE BRASÍLIA: o primeiro clube carioca a jogar em Brasília


O terceiro amistoso da Seleção de Brasília no ano de 1961 era para ser contra o Flamengo, do Rio de Janeiro (RJ), no dia 25 de junho.
No dia 7 de junho de 1961, o técnico Didi de Carvalho, então dirigindo o Planalto, convocou os seguintes jogadores:

RABELLO: Gaguinho, Joãozinho, Nilo, Calado, Dario e Reinaldo
PLANALTO: Jair, Edson Galba, Enes, Issinha, Cardoso, Gesil, Vitinho e Hudson
DEFELÊ: Bimba, Ely, Ramiro, Euclides e Raimundinho
GUARÁ: Walter Moreira, Ubaldo, Remis e Marianelli
GRÊMIO: Reinaldo, Alemão e Pedersoli
ALVORADA: Negão
SOBRADINHO: Hiroito
REAL: Bugue.

No dia seguinte, a Federação Desportiva de Brasília recebeu um telex onde era dito que o Flamengo não mais viria a Brasília.
Indignada com a atitude do Flamengo, a diretoria da F. D. B. convocou uma Assembleia Geral para o dia 16 de junho de 1961 e deliberou, por unanimidade, o seguinte:

1. Telegrafar ao Sr. Fadel Fadel, presidente do Clube de Regatas Flamengo, deplorando seu procedimento de não cumprimento do compromisso assumido para a vinda de seu plantel de profissionais a Brasília;
2. Proibir, em represália à desconsideração que tivera para com os desportistas brasilienses, que o C. R. Flamengo se exiba em Brasília com seus filiados em qualquer modalidade de esporte, enquanto for o presidente o Sr. Fadel Fadel;
3. Aprovar moção de solidariedade ao presidente Jardel Noronha de Oliveira em relação ao caso criado pelo C. R. Flamengo, dando publicidade da mesma e comunicando-se às Confederações, Federações e Imprensa em geral.
Serenados os ânimos, no dia 21 de junho de 1961, a Federação Desportiva de Brasília firmou contrato com o Fluminense, também do Rio de Janeiro (RJ), para a vinda do mesmo a fim de disputar um amistoso com a Seleção de Brasília, sob as seguintes bases: Cr$ 150.000,00 de taxa fixa e estadia para 20 pessoas durante três dias.
Os mesmos jogadores convocados para o amistoso contra o Flamengo foram chamados para o jogo contra o Fluminense. Fernandinho, do Guará, e Nobre, do Grêmio, se juntaram a eles, ficando assim a lista de jogadores:

RABELLO: Gaguinho, Joãozinho, Nilo, Calado, Dario e Reinaldo
PLANALTO: Jair, Edson Galba, Enes, Issinha, Cardoso, Gesil, Vitinho e Hudson
DEFELÊ: Bimba, Ely, Ramiro, Euclides e Raimundinho
GUARÁ: Walter Moreira, Ubaldo, Remis, Fernandinho e Marianelli
GRÊMIO: Reinaldo, Alemão, Nobre e Pedersoli
ALVORADA: Negão
SOBRADINHO: Hiroito
REAL: Bugue.

Didi de Carvalho continuou como técnico e Herrera, do Guará, como massagista.

Acontece que, poucos dias antes do amistoso acertado para Brasília, a equipe principal do Fluminense (reforçada por Didi, do Botafogo, e Evaristo, do Barcelona), foi convidada para uma apresentação especial na Espanha. O jogo foi realizado em Valencia, Espanha, no dia 1º de julho de 1961, onde o Fluminense venceu o clube local do Valencia por 3 x 2, numa partida em benefício da família do jogador Walter Marciano, que morreu no dia 21 de junho de 1961, num acidente automobilístico na estrada que liga Valencia a Alicante. Na ocasião, um caminhão entrou na contramão e chocou-se contra o veículo conduzido pelo jogador.
Para honrar o compromisso, o Fluminense mandou para Brasília uma equipe de reservas.

Assim, no dia 2 de julho de 1961, o Fluminense tornou-se o primeiro clube carioca a visitar Brasília após sua inauguração como Capital da República (a Federação Desportiva de Brasília concedeu ao Fluminense o título de Pioneiro).
O resultado final foi um empate de 2 x 2. A Seleção de Brasília chegou a abrir 2 x 0 no marcador, para depois ceder o empate. Eis a ficha técnica do jogo:

SELEÇÃO DE BRASÍLIA 2 x 2 FLUMINENSE (RJ)
Data: 2 de julho de 1961
Local: Estádio Israel Pinheiro
Árbitro: Horácio Teixeira Ramos
Auxiliares: Jorge Cardoso e Joventino de Oliveira
Renda: Cr$ 320.000,00 (aproximadamente)
Gols: Dario, 55; Edson Galba (pênalti), 63; Geraldinho, 66 e Adaury, 85
SELEÇÃO DE BRASÍLIA: Gaguinho, Jair, Edson Galba e Enes; Remis e Bimba (Loureiro); Dario (Nobre), Vitinho, Ely, Fernandinho e Arnaldo.
FLUMINENSE: Márcio (Edson Borracha), Argemiro, Nilton e Nonô; Geraldinho e Ivan (Jair Santana); Sidney (Ferreira), Adaury, Alfredo, Wilson Bauru e Toni.


quarta-feira, 5 de novembro de 2014

A HISTÓRIA DA SEGUNDA DIVISÃO NO DF - Parte 14 (2008)


O 12º Campeonato Brasiliense da Segunda Divisão, versão 2008, foi disputado em três fases: na primeira, todos os oito inscritos jogaram entre si, em turno único, ou seja, com jogos só de ida. Na Segunda Fase aconteceram as semifinais, que reuniram o 1º colocado na primeira fase contra o 4º colocado e o 2º colocado x 3º colocado, com jogos de ida e volta, sendo o jogo de volta no estádio dos primeiros e segundos colocados, que também jogaram por resultados iguais.
A Final foi em jogo único, reunindo os vencedores das semifinais, no estádio do melhor colocado da primeira fase, que também tem a vantagem do empate. 
O campeão e o vice-campeão garantiram vaga na Primeira Divisão de 2009. Por outro lado, as duas últimas equipes colocadas caíram para a Terceira Divisão de 2009. 
Os participantes foram:
BRASÍLIA
CEILANDENSE
CRUZEIRO
GUARÁ
LUZIÂNIA
PARANOÁ
SAMAMBAIA
SANTA MARIA

Todos os clubes procuraram se reforçar para o campeonato, na maioria dos casos recebendo jogadores de clubes que disputaram a Primeira Divisão no 1º semestre e se encontravam “desempregados”, mesclando experiência e juventude.
O Samambaia, treinado por Adelson de Almeida, resolveu apostar mais uma vez em jogar com o time de juniores do Brasiliense.
O experiente atacante Bispo era a esperança de gols da equipe do Santa Maria.
O atacante Abimael (ex-Gama, Brasiliense e Ceilândia) era a principal atração do Ceilandense.
Com base no Brazlândia e tendo ficado em terceiro lugar no ano de 2007, o Cruzeiro montou uma boa equipe. O técnico Sílvio de Jesus, responsável por ascender o Brazlândia em 2007, teria os reforços do goleiro Fernando e o atacante Chefe (ambos ex-Legião), além de quatro atletas que disputaram a Primeira Divisão com o Brazlândia (o lateral David, os volantes Daniel e Augusto e o atacante Dida), somados a seis atletas vindos do futebol mato-grossense.
O Guará demorou para se preparar. Mesmo contando com a experiência do técnico Mozair Barbosa, fez apenas três treinamentos antes da estreia na competição, deixando claro que ia tentar se ajeitar no decorrer da competição.
De volta a Segunda Divisão do Campeonato Brasiliense, o Brasília (vice-campeão da Terceira Divisão do DF em 2007) foi mais um que resolveu apostar em jogadores experientes, correndo o risco de contar com alguns um dia antes da estreia e isso refletir no entrosamento. Os principais destaques eram Piu, Kaká, Didão, Iron, Maninho, Giovani e Edicarlos.
Mesma aposta fez o Paranoá, com jogadores chegando na véspera do início do campeonato, mas sem a mesma qualidade. O técnico Augusto César, ex-lateral-esquerdo do Gama e Brasiliense, só assumiu o cargo um dia antes da estreia do Paranoá.
O experiente Zé Ricarte (duas vezes vice-campeão em 2008: na primeira divisão pelo Dom Pedro II e na terceira com o CFZ) e Chimba eram os principais destaques do Luziânia, mais um que fez sua estreia ainda procurando se reforçar à procura da melhor formação.

Quando a bola rolou, no dia 2 de agosto de 2008, ficou claro que apenas duas equipes eram favoritas para chegarem à final da competição e, consequentemente, alcançarem as duas vagas para a Primeira Divisão em 2009: Brasília e Luziânia.
Após as cinco rodadas da Primeira Fase, os dois clubes mantinham 100% de aproveitamento após cinco vitórias cada. Com duas rodadas de antecedência, comemoraram as duas primeiras vagas nas semifinais.
Ao final da fase, o Brasília continuou com sua campanha invicta, com seis vitórias e um empate. O Luziânia ficou um ponto atrás, com apenas uma derrota, justamente para o Brasília.
Os demais classificados para a disputa das semifinais, Ceilandense e Cruzeiro, somaram onze pontos, cada um.
Paranoá e Guará chegaram à sétima e última rodada sem marcar pontos e já rebaixados para a Terceira Divisão. Coincidentemente, enfrentaram-se nessa rodada, com vitória do Paranoá por 3 x 1.
Nos jogos de ida das semifinais, realizados no dia 20 de setembro, no Estádio do Cruzeiro aconteceu empate de 2 x 2 entre Cruzeiro e Brasília. Mesmo atuando com um jogador a menos desde os 21 minutos do 2º tempo, o Brasília esteve à frente do marcador por duas vezes (gols de Giovani e Magrão). Os dois gols do Cruzeiro foram assinalados por Jocelmo. 
No outro jogo, no Abadião, o Luziânia surpreendeu o Ceilandense, vencendo-o por 2 x 1. Zé Ricarte e Chimba marcaram para o Luziânia, enquanto Abimael descontou para o Ceilandense.
No dia 28 de setembro, nos jogos de volta, Brasília e Luziânia apenas confirmaram seus favoritismos, derrotando Cruzeiro e Ceilandense, respectivamente, pelo mesmo placar: 3 x 0. Na vitória do Brasília marcaram Giovani, Edicarlos e Piu. Chimba, Perivaldo e Marco Antônio fizeram os gols do Luziânia.
Na final, com a vantagem do empate por ter melhor campanha que seu adversário, o Brasília venceu o Luziânia por 2 x 1, com os três gols marcados no segundo tempo.
A ficha técnica da final foi esta:

BRASÍLIA 2 x 1 LUZIÂNIA 
Data: 4 de outubro de 2008
Local: Mané Garrincha, Brasília (DF)
Árbitro: Almir Camargo
Gols: Edicarlos, 66 e 77 e Chimba, 90+1
BRASÍLIA: Diego, Toninho, Piu, Luan e Kaká; Didão, Iron, Magrão (Natan) e Maninho (Mima); Giovani (Thiago Silva) e Edi Carlos. Técnico: Marquinhos Carioca. 
LUZIÂNIA: Santos, João Ronaldo (Marco Antônio), Perivaldo e Rafael; Josuel (Giordan), Zé Ricarte, Leonardo, Esquerdinha e Flávio Rogério; Gustavo e Chimba. Técnico: Índio.

A classificação final foi a seguinte:
 

CF

CLUBES

J

V

E

D

GF

GC

SD

PG

1º

BRASÍLIA

10

8

2

0

20

8

12

26

2º

LUZIÂNIA

10

8

0

2

25

8

17

24

3º

CRUZEIRO

9

3

3

3

12

16

-4

12

4º

CEILANDENSE

9

3

2

4

11

15

-4

11

5º

SANTA MARIA

7

3

1

3

8

7

1

10

6º

SAMAMBAIA

7

2

2

3

3

7

-4

8

7º

PARANOÁ

7

1

0

6

9

16

-7

3

8º

GUARÁ

7

0

0

7

6

17

-11

0

 

Os principais artilheiros do campeonato foram:

1º - Chimba (Luziânia), 11 gols;

2º - Edi Carlos (Brasília), 7;

3º - Giovani (Brasília), 5;

4º - Abimael (Ceilandense), Dida (Cruzeiro), Marco Antônio (Luziânia) e Bispo (Santa Maria), 4;

5º - Chefe e Jocelmo (Cruzeiro) e Heraldo (Luziânia), 3.







segunda-feira, 3 de novembro de 2014

FICHA TÉCNICA: Leônidas Grillo



Leônidas Grillo nasceu no dia 24 de agosto de 1939 na cidade de São Lourenço, interior de Minas Gerais.
Começou a jogar bola no juvenil do Esporte Clube São Lourenço, onde chegou até o profissional e participou do jogo contra o Dínamo Bucarest, da Romênia, na derrota de 3 x 2 do time mineiro.
Depois jogou pelos times do Industrial, de Itanhandu (MG), Três Pontas A. C. - TAC (MG) e Associação Esportiva de Guaratinguetá (SP), até chegar ao Fluminense, do Rio de Janeiro, onde jogou com Dodô e Altair, esse último campeão mundial em 1962 pela Seleção Brasileira.
Em sua cidade natal, um motorista de caminhão trouxe-lhe uma mensagem do amigo Alfredo de Lucas. Ex-diretor do E. C. São Lourenço, Alfredo de Lucas já conhecia o futebol de Leônidas e o chamou para vir para Brasília, onde as peladas e torneios promovidos pelas empresas instaladas eram a única diversão dos candangos. O caminhoneiro, por sua vez, convenceu-lhe a acompanhá-lo na viagem para Brasília, contando sobre a fartura de trabalho e ótimas oportunidades de salário que a construção da nova capital oferecia.
A viagem na boleia de um caminhão carregado de garrafas de água mineral que o trouxe para Brasília demorou três dias. O desembarque foi na Vila Planalto, no dia 28 de julho de 1960. A cidade lhe pareceu esquisita, todas as construções de madeira, vários acampamentos de trabalhadores, obras incompletas por todos os lados, muita poeira.
Nos dois primeiros dias, instalou-se na casa do amigo Alfredo de Lucas, que tinha um bar na Vila Planalto. Mas a disponibilidade de vagas de trabalho era realmente impressionante.
Os treinos de futebol não demoraram a acontecer. Não demorou para Leônidas passar a ser integrante do Esporte Clube Planalto, time mantido pela Construtora Planalto, uma das tantas que, sob a administração da Novacap, eram encarregadas de concluir a construção da nova capital.
Por saber ler e escrever bem, foi contratado pela construtora como fiscal de alojamentos e residências oficiais. O trabalho era simples, nem um pouco cansativo. Mas a precariedade da vida em Brasília era exaustiva. Sofreu com a solidão do acampamento, assim como outros colegas, que inúmeras vezes foram ouvidos chorando durante a noite.
Todos os dias, às 17 horas, quando os caminhões deixavam os candangos nos acampamentos depois de um dia de trabalho que começava de madrugada, Leônidas se desesperava. Eram mais de cem caminhões carregados de trabalhadores que chegavam batendo seus capacetes como se estivessem numa guerra. Fora isso, ainda tinha a poeira que levantava do chão e a necessidade de conviver apenas entre homens, pois não havia mulheres nos acampamentos.
Por causa da falta de mulheres e lazer na cidade, todos os finais de semana as construtoras enchiam seus caminhões de trabalhadores e os levavam até as cidades goianas vizinhas - Formosa, Luziânia e Anápolis. Além desses passeios, a única diversão dos trabalhadores era o futebol.
Os candangos eram mesmo enlouquecidos pelas partidas que aconteciam nos acampamentos das companhias. Cada companhia investia alto na formação e manutenção de seus times. Os jogadores eram dispensados do trabalho mais cedo que os outros e treinavam em campos construídos nos próprios acampamentos. Os diretores das companhias também presidiam os times.
Em quase todos os finais de semana havia partida de futebol. Cada vez em um acampamento diferente. Havia os campos da Planalto, da Nacional, do Departamento de Força e Luz (DFL), da Alvorada, da Rabello, da Pederneiras e da Metropolitana, que não ficava na Vila Planalto.
O público dos jogos não perdia em nada para qualquer torneio de outro estado. Milhares de pessoas torciam emocionadas por seus times, que tinham os mesmos nomes das companhias construtoras, com exceção do Defelê, do DFL.
Os ânimos ficavam tão acirrados nas partidas que a briga no campo era transferida para os acampamentos. Na torcida, engenheiros, militares, funcionários de alto escalão e candangos se misturavam em torno da maior paixão brasileira de todos os tempos.
Jogou no Planalto nos anos de 1960 e 1961. O bom futebol de Leônidas, que jogava na posição de volante, rapidamente levou o Defelê a interessar-se pelo seu passe. A forma de contratar os jogadores em Brasília era bastante simples. Se o atleta se interessasse, a companhia do time em questão tratava de inseri-lo em algum de seus trabalhos. Dessa maneira, no Defelê, ainda em 1961, Leônidas passou a exercer a função de fiscal de cabos e redes aéreas de alta-tensão junto ao DFL. Neste ofício teve a oportunidade de participar da construção das subestações de energia elétrica números 1 e 2, localizadas no Setor de Embaixadas e na 903 Sul, respectivamente.
Em 1962, atuando pelo Defelê, ajudou a derrotar a seleção amadora do Chile por 2 x 1, jogo assistido por pelo menos 3 mil pessoas. Também nesse ano conquistou o título de campeão brasiliense pelo Defelê. Ainda disputou o campeonato de 1963 pelo Defelê e teve uma breve passagem pelo Vila Nova, de Goiânia (GO). Retornou no ano seguinte e parou com o futebol.
As companhias não economizavam na organização dos jogos. Naquela época, vários times de outros estados estiveram em Brasília, disputando amistosos. No acampamento do DFL havia um alojamento especial só para receber os jogadores convidados.
Em 1973, todos os acampamentos das companhias instalados na Vila Planalto foram demolidos. Houve muita confusão para efetivar a ação de retirada dos candangos do local porque ninguém queria deixar a pequena comunidade onde muitos viviam há mais de dez anos, como Leônidas.
Para garantir a moradia dos candangos fora dali, o Governo do Distrito Federal dava preferência na entrega das casas da extinta SHIS, projeto de moradias populares nas cidades do Gama, Guará e Taguatinga. Nesta época, Leônidas já havia deixado o futebol e era funcionário da Secretaria de Serviço Público. Sem escolha, terminou recebendo uma casa no Guará.
A cidade ainda estava por construir, as ruas sem asfalto e a rede de tratamento de esgoto ainda sendo formada. Quando chovia, fazia tanta lama que o ônibus que levava as pessoas do Plano Piloto para lá não era o mesmo que circulava dentro da cidade, havia um especialmente para isso.
O tamanho das casas era proporcional ao número de pessoas da família do trabalhador beneficiado. Solteiro ainda e sem filhos, Leônidas terminou ficando com uma casa “zero quarto”, como chamavam na época a construção com sala, banheiro e cozinha.
A moradia ainda é a mesma ocupada por Leônidas, a esposa Luzia Maria Moreira e os três filhos, Anthony Leonardo, Anderson Clayton e Ludmila Aparecida. Mas a construção original foi derrubada, dando lugar a uma bela residência de três andares.
Paralelamente ao futebol, Leônidas foi fiscal do Departamento de Gestão Patrimonial (DGP) da Novacap, sendo transferido para o DFL e quando a CEB foi criada ficou na empresa somente 3 meses pois foi convidado para assumir a fiscalização de concessões e permissões no GDF, onde se aposentou em 1994. 
Leônidas Grillo faleceu no dia 4 de julho de 2014.