Ademir Tremendani dos Santos, mais conhecido no futebol do DF como Melinho,
nasceu na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro (RJ), em 9 de julho de 1947.
Veio para Brasília em março de 1961, acompanhando seu pai, João Mello, funcionário
da Câmara dos Deputados.
A adaptação à nova cidade foi muito difícil. O Cruzeiro (atual região
administrativa do DF) nem nome tinha: era chamado de "cemitério"
devido às casas padronizadas que pareciam mausoléus. Era um bairro em
construção, mas, aos poucos, ele foi se adaptando.
Fez parte das categorias de base da Associação Esportiva Cruzeiro do Sul que venceu
o 1º Campeonato Brasiliense de Juvenis, em 1962.
Cruzeiro do Sul campeão juvenil de 1962: Zé Maria
(treinador), Melinho, Betão, Erito, Zé Goleiro, Zezito, Tota e Ney; Geraldinho,
Moisés, Jajá, Mosquito, Eurípedes Jerusa e Melão (irmão de Melinho).
Em 1964, com 17 anos, integrou o elenco do Cruzeiro do Sul que representou o
DF na então Taça Brasil, que depois seria transformado em Campeonato
Brasileiro.
Aos 18 anos, já disputava jogos pela equipe principal do Cruzeiro, tendo
participado do Campeonato Brasiliense de 1965.
Em 1967 transferiu-se para o Rabello e neste mesmo ano conquistou o Campeonato
Brasiliense de Juvenis por esse clube.
Foto restaurada do juvenil do Rabello campeão brasiliense de 1967: Carlos
Morales (treinador), Melinho, Pedro Pradera, Celso, Waldemar, César e Airton; Walmir,
Jorge, Luizinho, Paulinho e Alemão.
Ainda em 1968, depois de ter rescindido seu contrato com o Rabello, retornou ao
Cruzeiro. Em agosto de 1968 conquistou o título de campeão do Torneio “Casa do
Atleta”., vencendo na final a equipe da Associação Desportiva de Taguatinga.
Nesse ano de 1968, o jornal Correio Braziliense chegou a estampar uma manchete
afirmando que Melinho iria jogar no Paysandu, de Belém (PA).
Na verdade, a convite de um amigo da família, chegou a ir até Belém (PA) para fazer
testes com o objetivo de jogar lá. Não quis ficar e retornou para Brasília.
Começou o ano de 1969 como atleta amador do Flamengo, de Taguatinga, depois
passando para o Piloto, onde disputou o Campeonato Brasiliense desse ano.
A partir de 1970, quando passou a trabalhar na Gráfica do Senado Federal, e até
1973, foi jogador da Associação Atlética Serviço Gráfico.
Em 1971 o Serviço Gráfico foi vice-campeão nas duas competições que disputou: o
Torneio Governador do Distrito Federal e o Campeonato Brasiliense, no primeiro
atrás do Jaguar e no segundo depois do Colombo.
Melinho integrou a seleção dos “Melhores do Ano” de 1971, em enquete realizada
pelo jornal Correio Braziliense e que ficou assim: Carlos José (Colombo),
Maninho (Grêmio), Melinho (Serviço Gráfico), Sir Peres (Colombo) e Paulo
Moreira (Colombo); Zoca (Colombo) e Pedro Léo (Colombo); Procópio (Colombo),
Walmir (Serviço Gráfico), Eduardo (Grêmio) e Dinarte (Ceub).
Foi peça importante na conquista do título de campeão brasiliense de 1972, participando
de todos os 15 jogos que a equipe do Serviço Gráfico disputou para chegar ao
título de campeão, após uma série “melhor de três” contra o CEUB.
Seu último jogo oficial aconteceu em 11 de novembro de 1973, válido pelo
Campeonato Brasiliense, no empate em 0 x 0 com o Unidos de Sobradinho, no
Pelezão. A formação do Serviço Gráfico foi Carlos José, Juarez, Luciano,
Melinho e Wilson Godinho; Raimundinho e Riba; Edu, Lucas (Bazan), Fernando e
Sabarazinho. Técnico: Bugue.
Nesse mesmo ano, Melinho fez parte da “Seleção dos Melhores do 1º Turno”
escolhida pelo Jornal de Brasília e que ficou assim composta: Elizaldo (Ceub),
Aderbal (Jaguar), Sir Peres (Unidos de Sobradinho), Melinho (Serviço Gráfico) e
Wilson Godinho (Serviço Gráfico); Nunes (América) e Pedro Léo (Ceub); Joãozinho
(Atlético), Lucas (Serviço Gráfico), Baiê (Luziânia) e Moisés (Humaitá).
Com a instabilidade do futebol brasiliense, Melinho decidiu encerrar sua
carreira nos gramados para garantir estabilidade financeira para ele e sua
família. Continuou jogando em campeonatos de servidores e torneios amadores de
alto nível da Capital Federal.
Em 1974, como atleta da Bradisa, foi convocado para a Seleção Sindical do Distrito
Federal que disputaria o 1º Campeonato Brasileiro Sindical de Futebol, não
seguindo entre os que estiveram na conquista do título. Posteriormente, o DF perdeu
o título no “tapetão”.
Fez parte da equipe do Cruzeiro que disputou a I Copa Arizona no DF, em 1975.
Não foi adiante pois foi desclassificado pelo Unidos de Sobradinho, nos
pênaltis (clube que acabaria conquistando o título de campeão).
Foto restaurada do time do Cruzeiro que disputou a Copa
Arizona de 1975. Em pé: Melinho, Hélio, Luciano, Júlio César, Itamar e Milton
Capo; Agachados: Mineiro, Toninho, Heraldo, Ernani Banana e Arthur.
Melinho também jogou futebol de salão, sendo um dos destaques do time Biritex,
campeão do II Torneio de Futebol de Salão promovido pela Associação Recreativa
Unidos do Cruzeiro - ARUC e patrocinado pelo Ponto Frio Bonzão e Departamento
de Turismo do GDF em 1974.
Em 1977, voltaria a conquistar esse campeonato, desta vez defendendo as cores
do Carioca.
Também em 1977, defendendo a ARUC foi vice-campeão do II Torneio Aberto de
Futebol de Areia, promovido pela ARUC e Cruzeiro Novo Esporte Clube e que tinha
em disputa o Troféu “Assis Chateaubriand”.
Melinho era um zagueiro com 1,92 m de altura, que tinha ótima técnica e se impunha pelo vigor físico.
Também atuou no time de basquete da A. E. Cruzeiro do Sul em 1972, sob o
comando de Mugli.
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