sábado, 11 de junho de 2022

ANIVERSARIANTE DO DIA: Ernâni Banana - 1ª parte


Ernâni José Rodrigues, o Banana, nasceu em Araguari (MG), no dia 11 de junho de 1955, sendo o terceiro de sete irmãos (ainda tem duas irmãs). Curiosamente, só Banana e Elmo se dedicaram ao futebol profissional. Outros três irmãos, Ronaldo, Reginaldo e Genésio chegaram a treinar no Taguatinga e no Brasília, mas preferiram o futebol de salão, defendendo a LIFUSTA - Liga de Futebol de Salão de Taguatinga.
Morou em Araguari até os 12 anos, estudando no colégio dos padres e já batia suas peladas.

O apelido de Banana foi colocado ainda moleque, pois era muito mole e no futebol vivia caindo à toa. Foi crescendo e o apelido o acompanhou.
Quando seus pais vieram para o Distrito Federal, em 1968, foi morar na QND-35, em Taguatinga, passando a estudar no Centro Educacional Taguatinga Norte - CETN, onde jogava no time do colégio, isso em 1969. Começou a trabalhar cedo, ajudando o pai na feira e se virando em uma cantina no Tribunal de Justiça.

Banana no SESI, o segundo
da esquerda para a direita
Em 1970, se mudou para a QNF-24 e logo depois foi inaugurado o Centro Desportivo do SESI. Como ele morava próximo, acabou indo para a escolinha do SESI, dirigida por Antônio Fabiano Ferreira, o Raimundinho. Lá ficou de 1970 a 1974, passando pelas categorias infantil, infanto-juvenil e juvenil. Nessa época o SESI tinha uma equipe com bons jogadores, dela saindo, além de Banana, Roberto César, que iria brilhar no Cruzeiro, de Belo Horizonte, Bosco, pai de Kaká, que era um bom zagueiro, com 1,90 metros de altura e que chegou a fazer testes no Atlético Mineiro, Aldair e Elmo, irmão de Banana, entre outros. Passou também pelo Dom Bosco, da Ceilândia.
De 1974 até o final de 1975 esteve no juvenil do Ceub, disputando inclusive o campeonato de Brasília. Naquele tempo, trabalhava na Gráfica Alvorada de dia e estudava à noite, não encontrando muito tempo para dedicar ao futebol. Mesmo assim, houve interesse do Ceub em profissionalizá-lo. Além disso, chegou a jogar por seleções amadoras do DF e na Copa Arizona e foi campeão brasileiro sindical de futebol, competição organizada pelo Ministério do Trabalho, pela seleção brasiliense dirigida por Raimundinho, no ano de 1974.
Em 1975, disputou o campeonato do Departamento Autônomo defendendo a equipe da Brasal. No final deste ano, o Pioneira (da empresa de ônibus Pioneira) montou uma equipe e o técnico Eurípedes Bueno de Morais o convidou para integrar o time. Então largou a gráfica e passou a se dedicar somente ao futebol. Em 1976, o Pioneira se transformou no Taguatinga, clube que passou a participar de competições oficiais promovidas pela Federação Metropolitana de Futebol na qualidade de equipe profissional.

Banana no Taguatinga
A primeira competição foi o Torneio Imprensa, no qual o Pioneira estreou no dia 14 de fevereiro de 1976, no Estádio Pelezão, vencendo o Humaitá por 2 x 0. Banana não marcou gol.
Em compensação, no dia 20 de março de 1976, ainda no Pelezão, Banana marcou o gol da vitória de 1 x 0 sobre o Brasília.
Marcou seu segundo gol no dia 3 de abril, na goleada do Taguatinga sobre o Gama, por 4 x 1.
O Taguatinga fez boa campanha no Torneio Imprensa, chegando na segunda colocação, com o mesmo número de pontos do Grêmio, o campeão, para o qual perdeu o título no saldo de gols. Banana conseguiu aparecer com destaque. A imprensa de forma geral começou a dar força e o público passou a prestigiar os jogos do Taguatinga. A torcida do Taguatinga era bastante animada e começou a ir aos jogos conduzindo folhas de bananeira para saudar Banana. Primeiramente foram seus amigos, parentes, vizinhos e depois muitos outros torcedores passaram a fazer o mesmo. Banana passou a ser o primeiro jogador do futebol brasiliense a ter torcida própria. Acabou tendo uma repercussão enorme, com as rádios, as televisões e os jornais noticiando e comentando a forma dos torcedores em saudar Banana.
A equipe de esportes do Jornal de Brasília elegeu a seleção do torneio. Banana foi escolhido o destaque da competição, obtendo votação unânime.
Logo depois do Torneio Imprensa, teve início o campeonato brasiliense. Ao final do primeiro turno, o jornal Correio Braziliense escolheu a “seleção do primeiro turno”, dentre os quais estava Banana, do Taguatinga.
Apareceram clubes, como o Ceub, querendo contratar Banana, mas o Taguatinga não quis conversa. No campeonato, o time estava bem, quando aconteceu a paralisação, com o Ceub e o Brasília querendo a vaga do Distrito Federal no Campeonato Brasileiro e a CBD deixando ambos de fora. Foi quando apareceu um representante do Vasco da Gama e fez uma proposta para levar Banana para São Januário.

Banana no Vasco da Gama
Quando foi para o Vasco da Gama, em julho de 1976, Banana ainda era muito imaturo e teve um choque muito grande com aquela mudança radical. Sair do Taguatinga, um clube que estava iniciando no profissionalismo para um dos maiores clubes do Brasil, o abalou muito.
Ele estava inscrito para o vestibular na UnB. Dois dias antes do início das provas estava viajando para o Rio de Janeiro. Lá, de repente, se viu cercado por repórteres de rádio, TV e jornal, todos querendo entrevista, todos querendo saber quem era Banana.
O jornal carioca “O Globo” destacou em sua edição de 13 de julho de 1976: “Banana vem de Brasília para reforçar o Vasco”. Abaixo dessa matéria, outra chamada: “Ídolo do Taguatinga e artilheiro do time”.
Ficou meio apavorado, foi levado para assinar contrato e não fez nenhuma exigência. Concordou com tudo o que os dirigentes do Vasco da Gama propuseram.
Com menos de uma semana em São Januário, sem ter feito um único coletivo, foi lançado na equipe num amistoso contra o próprio Taguatinga, no dia 21 de julho de 1976. Banana entrou no lugar de Roberto Dinamite, aos 30 minutos do 1º tempo. Aos 15 minutos do 2º tempo, Banana chutou uma bola no travessão, na única boa jogada que realizou durante todo o tempo em que esteve em campo. O Vasco da Gama venceu o Taguatinga por 3 x 0. Esse jogo foi bastante promovido e houve até televisionamento direto para Brasília, pela TV Nacional.
Depois desse amistoso, passou a fazer trabalho de musculação e a treinar entre os profissionais. No coletivo realizado em São Januário, no dia 11 de agosto de 1976, os titulares venceram os reservas por 2 x 1. Jair Pereira e Helinho marcaram para os titulares, enquanto Banana descontou para os reservas.
Banana estava bem e mostrava isso nos treinos. Esperava que fosse ter uma chance no time. Como o Vasco da Gama estava disputando o terceiro turno do campeonato carioca, imaginou que o técnico Paulo Emílio não quisesse mexer na equipe. Então, passou a integrar o time misto em amistosos pelo interior do Rio de Janeiro e ficou alguns jogos no banco de reservas no campeonato carioca. Se destacou nos jogos amistosos e o Vasco da Gama passou a cobrar uma taxa mais alta por apresentação com a presença de Banana.
Logo depois veio o Campeonato Brasileiro e quando achou que ia ser relacionado para disputar a competição, isso acabou não acontecendo, sentindo-se marginalizado no elenco vascaíno.
Quando terminou o período de empréstimo, o Vasco da Gama queria que ele permanecesse por lá, mas ofereceu muito pouco ao Taguatinga pelo seu passe. Como Banana também estava querendo retornar a Brasília, não houve acerto entre os dois clubes, e Banana voltou para o Taguatinga.
Quando Banana voltou para Brasília, o futebol estava vivendo uma crise seríssima. O Ceub havia encerrado suas atividades. O Grêmio seguiu o mesmo caminho. O Taguatinga tinha dispensado quase todos os seus jogadores. Banana voltou em dezembro de 1976. Em fevereiro de 1977 venceu seu contrato com o Taguatinga. Como no tempo hábil o clube não manifestou, oficialmente, interesse na renovação do contrato, Banana acabou pleiteando na justiça desportiva a posse do passe e saiu vitorioso. Com o passe na mão, outros clubes o procuraram querendo contratá-lo. O Goiás e o Remo chegaram a fazer propostas. Preferiu, no entanto, vender seu passe ao Brasília e ficar na cidade, uma vez que a experiência vivida no Vasco da Gama ainda estava muito recente e ele com receio de sofrer outra decepção.



Um comentário:

  1. Meu grande amigo Banana! Nos tempos do Colégio de Taguatinga Norte e do SESI.Espero um dia poder reencontra-lo.

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