sexta-feira, 27 de novembro de 2015

AS SELEÇÕES DE BRASÍLIA: o Jogo da Solidariedade, com Rivelino e Zico juntos - 1983


O público que compareceu ao Estádio Serejão no dia 23 de julho de 1983 para assistir ao “Jogo da Solidariedade”, entre a Seleção do Distrito Federal e a Seleção do Sul (alguns jornais chamaram essa equipe de Seleção de Santa Catarina), em benefício das vítimas das enchentes que assolaram o sul do Brasil, não saiu decepcionado. Pelo contrário: Zico, que jogou pela seleção do Distrito Federal, fez um gol antológico, grandes jogadas e ajudou seu time a vencer a seleção do Sul por 3 x 2. Mesmo fora de forma, Rivelino jogou ao lado de Zico e teve bons momentos.
Entre os jogadores do DF, os destaques foram Éder Antunes, autor do terceiro gol, e Barão, Raimundinho e Santos.
A seleção do DF começou melhor e, logo aos 4 minutos de jogo, Santos chutou uma bola na trave, depois de receber ótimo lançamento de Rivelino pela meia direita. Aos 18 minutos, Bizu marcou o gol da seleção catarinense. Depois de receber excelente passe de Rivelino e perder um gol feito, Nilson, centro-avante do Gama, foi substituído por Éder Antunes, do Guará, aos 35 minutos. O primeiro tempo terminou com o placar de 1 x 0 a favor dos catarinenses e Zico disse que jogaria mais vinte minutos no segundo.
O ponto alto do jogo foi, sem dúvida nenhuma, o gol de Zico, aos 4 minutos do 2º tempo. Ele dominou uma bola à altura da meia-lua e, mesmo cercado pela zaga adversária, deu uma série de dribles em seus marcadores até conseguir espaço para chutar sem defesa para o goleiro catarinense. Um dos gols mais bonitos marcados em um estádio brasiliense.
No entanto, a seleção do Sul voltou a ficar na frente do marcador aos 13 minutos, com um gol marcado por Silva. Logo depois, Zico deixou o campo. O jogo esfriou um pouco.
A seleção do DF estava perdendo o jogo até os 41 minutos do segundo tempo, quando Marquinhos, jogador do Ceilândia, empatou. Dois minutos depois, o centro-avante Éder Antunes fez o gol da vitória.
Eis a ficha técnica desse jogo:
SELEÇÃO DO DF 3 x 2 SELEÇÃO DO SUL
Data: 23.07.1983
Local: Serejão, Taguatinga (DF)
Renda: Cr$ 7.889.000,00 (sem computar a renda antecipada)
Público: 7.603 pagantes
Árbitros: Arnaldo César Coelho e José Mário Vinhas
Gols: Bizu, 18; Zico, 49; Silva, 58; Marquinhos, 86 e Éder Antunes, 88
Seleção do DF: Joaldo (Adriano), Cidão (Ricardo), Jonas Foca, Zinha e Manoel Silva (Pacheco); Barão, Zico (Marquinhos) e Rivelino (Wander); Santos (Raimundinho), Nilson (Éder Antunes) e Lino (Marcelo). Técnico: Pedro Pradera.
Seleção do Sul: Gilson (Borrachinha), Bruno (Toninho), Adilço (Silva), Gilberto e Álvaro; Careca (Édson), Toninho Vanusa e João Renato; João Carlos, Bizu (Nestor) e Ademir. Técnico: Adelardo Madalena.

O SEGUNDO JOGO

O segundo jogo entre essas duas seleções aconteceu no dia 4 de agosto de 1983, no Estádio Orlando Scarpelli, em Florianópolis (SC).
Devido ao frio de 13 graus que estava fazendo em Florianópolis, o público não compareceu em bom número (922 torcedores pagaram ingresso), fazendo com que a renda somasse apenas Cr$ 847.000,00.
O resultado final foi um empate de 0 x 0. O goleiro Joaldo, do Sobradinho, salvou a seleção do DF de levar uma goleada e foi o maior destaque da partida, sendo inclusive muito elogiado pelos dirigentes catarinenses. A seleção de Santa Catarina passou todo o 1º tempo atacando os brasilienses e o gol não saiu. Albeneir, ex-jogador do Brasília, perdeu várias oportunidades de marcar, sempre encontrando Joaldo em boa colocação.
Um dos poucos ataques do DF aconteceu aos 18 minutos, quando o lateral esquerdo Pacheco cobrou uma falta para dentro da área e o zagueiro Zinha quase fez o gol, cabeceando rente à trave. No resto do 1º tempo o que se via era os catarinenses pressionando e o goleiro Joaldo se desdobrando para evitar o gol.
Mas no segundo tempo o panorama se modificou. A seleção de Santa Catarina voltou com 10 jogadores reservas e caiu de produção. A seleção do DF se aproveitou disso e passou a coordenar melhor as jogadas e teve algumas oportunidades de marcar. A maior chance foi através de Marco Antônio, aos 45 minutos, que entrou sozinho, frente a frente com o goleiro e não conseguiu fazer o gol.
José da Silva Mello foi o árbitro e as duas seleções formaram assim: 
SANTA CATARINA - Luís Carlos (Gilson), Bruno (Assis), Levir (Carlos Alberto), Gilberto (Silva) e Fantick (Hamilton); Miro Oliveira (Careca), Balduíno (Caco) e Toninho Vanusa (Osmarzinho); Britinho, Albeneir (Flávio) e Passos (Larry).
DISTRITO FEDERAL - Joaldo, Cidão (Ricardo), Zinha, Jonas Foca e Pacheco; Barão, Wander (Marco Antônio) e Marquinhos; Santos, Éder Antunes (Zeca) e Marcelo (Lino). Técnico: Pedro Pradera. 
Obs.: o único jogador que viajou e não jogou foi o goleiro Bocaiúva, em função da grande atuação de Joaldo. O apoiador Raimundinho, do Taguatinga, foi cortado na véspera da viagem, sendo convocado para seu lugar Marco Antônio, do Brasília.
O presidente da Federação Metropolitana de Futebol, Adilson Peres, foi o chefe da delegação que se dirigiu a Florianópolis. Além dele, viajaram Luís Serejo, Arnaldo Gomes, Almir Vieira (Supervisor), Altair Siqueira (Preparador Físico) e Marreta (Massagista).
A seleção de Santa Catarina não foi a mesma que foi derrotada no dia 23 de julho. Desta vez, apenas os dois clubes de Florianópolis, Avaí e Figueirense, formaram um combinado, sob a orientação dos seus treinadores Geraldo Damasceno (Figueirense) e Ladinho (Avaí).
Houve comentários que Rivelino voltaria a defender a seleção do DF, mas isso não aconteceu. Da mesma forma, Renato Sá ficou de defender a seleção catarinense. Também não compareceu.
A renda serviu para ajudar os três clubes catarinenses mais atingidos com as enchentes: Blumenau, Joaçaba e Rio do Sul.

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