sábado, 13 de dezembro de 2014

SÉRIE “O FUTEBOL NAS CIDADES-SATÉLITES”: CRUZEIRO - Parte 1


No último dia 30 de novembro, a cidade do Cruzeiro completou 55 anos de existência.
Estamos aproveitando essa comemoração para dar início a uma nova série, sobre a história do futebol nas cidades-satélites do Distrito Federal. O Cruzeiro é a primeira da série.



A CIDADE

O Decreto nº 10.972, de 30.12.1987, do Governador José Aparecido de Oliveira, em seu Artigo 1º declarou o dia 30 de novembro de 1959 como data oficial de fundação do Núcleo Urbano do Cruzeiro.
A equipe do urbanista Lúcio Costa foi responsável pelo projeto e pelo nome oficial do bairro - Setor de Residências Econômicas Sul – SRE/S, Cruzeiro Velho. Na década de 70, foi inaugurado um conjunto de edifícios, que formaram o Cruzeiro Novo - SHCE/S.
Os primeiros moradores do então SRE/S, funcionários públicos e militares vindos do Rio de Janeiro, não se acostumaram com essa sigla e outras denominações para o local foram surgindo: primeiro chamaram de "Cemitério", devido ao isolamento do bairro e a impressão que se tinha daquele aglomerado de casinhas brancas, quando avistado de longe. Depois, numa homenagem bem humorada dos cariocas residentes, o local passou a ser reconhecido como "Bairro do Gavião", devido ao grande número de gaviões vermelhos que apareciam no local. A mudança do nome para “Cruzeiro” partiu da própria comunidade. Em 1960, um grupo de moradores procurou o jornal “Correio Braziliense” para manifestar sua insatisfação com o nome do local em que moravam. O batismo de Cruzeiro tinha então um fundamento lógico: o bairro ficava próximo à Cruz do Cruzeiro, onde foi celebrada a primeira Missa de Brasília, em 3 de maio de 1957. A partir daí, como era de se esperar, a região ficou conhecida pelo nome de Cruzeiro.
No segundo semestre de 1960, João Scarano, funcionário do Grupo de Trabalho de Brasília - GTB, foi indicado como administrador do núcleo residencial, com a responsabilidade de distribuir casas e buscar soluções para os problemas da comunidade. Situações difíceis como falta de água e luz, invasões, limpeza urbana deficiente, entre outros problemas, foram exemplos das principais dificuldades vivenciadas pela comunidade.
A cidade hoje conta com uma população de mais de 63.883 habitantes (pesquisa CODEPLAN 2010/2011).

O FUTEBOL NO CRUZEIRO




No mesmo dia em que Brasília completava seu primeiro ano de vida (21 de abril de 1961), às dez horas, na Casa 1 da Quadra 16 do Setor Residencial Econômico Sul - SRES, reuniram-se 93 moradores do então bairro do Cruzeiro para organizar uma associação recreativa e esportiva, que foi denominada Associação Esportiva Cruzeiro do Sul.
Foi pelos presentes escolhido João Scarano para presidir a seção e para secretariá-la Norberto Fernandes Teixeira.
João Scarano explicou o motivo da criação de uma associação esportiva e recreativa, dizendo que, com a criação daquela entidade o setor teria mais vida e seus moradores não precisariam recorrer a outros lugares para se distraírem, porque a agremiação que estava sendo fundada iria lhes proporcionar o que de melhor existia no setor recreativo e esportivo. Continuou dizendo que já estava sendo providenciada a sua sede provisória, com sua praça de esportes para competições oficiais e que, em breve, seria passada a “patrola” (espécie de trator para nivelar terrenos) para os primeiros passos do futebol no bairro.
A seguir foi escolhida uma comissão para elaborar os estatutos da agremiação, sendo Felinto Epitácio Maia, o Presidente, e tendo como auxiliares Zorobabel Josué dos Passos, Francisco Jacob dos Santos, Geraldo da Silva Santos e Norberto Fernandes Teixeira.
O novo clube tinha como cores oficiais a azul e a branca. O uniforme tinha duas variações: o primeiro com camisa azul, calção branco e meias azuis (semelhante do Cruzeiro, de Belo Horizonte) e o segundo com camisas com listras verticais em azul e branco, calção branco e meias com listras horizontais também em azul e branco. Tinha um gavião como símbolo.
Norberto Fernandes Teixeira foi eleito o primeiro Presidente da A. E. Cruzeiro do Sul.
A partir de 1962 e até 1968 o Cruzeiro foi o único representante da cidade no campeonato brasiliense. Nesse período conquistou o título de campeão no ano de 1963 e foi vice-campeão em 1967.
Para o ano de 1963, o Cruzeiro passou a contar com a administração da dupla Norberto Teixeira e Jackson Augusto Roedel, o que lhe renderia bons frutos. Além de manter os bons jogadores de 1962, Cruzeiro reforçou o time, contratando bons jogadores dos clubes locais e também de outros Estados.
Com isso, conquistou de forma brilhante o título de campeão brasiliense de 1963, com uma campanha impecável: nos 16 jogos que disputou, venceu 10, empatou 5 e perdeu apenas 1. Marcou 39 gols e sofreu 14. Além disso, teve os dois principais artilheiros do campeonato, Ceninho, em 1º (com 10 gols) e Beto Pretti, em 2º (juntamente com Nilson, do Nacional), com 9.
Representou o futebol do DF na então Taça Brasil (hoje Campeonato Brasileiro) de 1964, sendo desclassificado pelo Vila Nova, de Goiânia (GO), após dois jogos.
Não adotou o profissionalismo no ano de 1964, preferindo continuar disputando o campeonato brasiliense de amadores.
Apenas em 1967, o Cruzeiro solicitou sua inscrição no campeonato de profissionais. Para coroar o seu bom primeiro ano no profissionalismo, ficou com o vice-campeonato brasiliense, somente atrás do Rabello.
Preferiu ficar de fora do campeonato brasiliense de 1969, quando a Federação resolveu juntar em sua competição oficial clubes profissionais com amadores, e também do ano seguinte, 1970.
Mesmo sem disputar competições oficiais no período de 1969 a 1971, somente no dia 22 de junho de 1971 a Associação Esportiva Cruzeiro do Sul foi desfiliada da Federação Desportiva de Brasília.
Foi a primeira vez que a cidade ficou sem representantes nos campeonatos brasilienses de futebol.

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