terça-feira, 16 de dezembro de 2014

SÉRIE “AS SELEÇÕES DE BRASÍLIA”: desastre em Nova Friburgo


Com a finalidade de participar dos festejos da “Libertação dos Escravos”, anualmente comemorada em Niterói, a Federação Desportiva de Brasília, através de seu presidente Jardel Noronha de Oliveira, acertou um amistoso em Niterói, no dia 13 de maio de 1962, contra o selecionado fluminense.
A delegação da FDB, composta de 25 pessoas, entre dirigentes, atletas e convidados, deixaria Brasília no dia 12 de maio, pela manhã, em avião da FAB, regressando ao DF no dia 14 de maio.
A Comissão Técnica, formada por Aliatar Pinto de Andrade, Waldyr de Carvalho (treinador) e Juvenal Francisco Dias convocou os seguintes jogadores: os goleiros Matil e Gonçalinho; os defensores Jair, Gavião, Edilson Braga, Leocádio, Bimba e Enes, os armadores Matarazzo, Sabará, Orlando, Alaor Capella e Beto Pretti e os atacantes Invasão, Ubaldo, Zezito, Nicotina, Ely, Raimundinho, Arnaldo e Reinaldo.
Também ficou acertado que o primeiro treino aconteceria no campo do Defelê, no dia 8 de maio.
Os titulares venceram por 3 x 0, com gols consignados por intermédio de Ely, Alaor Capella e Raimundinho. A prática teve a duração de 60 minutos. A equipe titular esteve assim constituída: Matil, Oswaldo e Gavião; Matarazzo, Bimba e Enes; Ubaldo (Nicotina), Ely, Alaor Capella, Beto Pretti e Raimundinho.
Dos convocados não compareceram ao treino Edilson Braga, Jair, Sabará e Arnaldo. Mais tarde, soube-se que os quatro jogadores não sabiam do treino.
O segundo e último treino aconteceria no dia 10 de maio, também no campo do Defelê.
Além dos já citados jogadores, constituíam o restante da delegação as seguintes pessoas: Gerson Barbosa (Chefe), Paulo Linhares (Subchefe), Júlio Capilé (Médico), Ciro Machado do Espírito Santo (Relações Públicas), Wanderley Matos (Jornalista) e os convidados Orlando Gaglionone, Roosevelt Nader e o árbitro Jorge Cardoso.
A primeira alteração na programação foi na forma de locomoção para o Estado do Rio. Antes previsto para ser em avião da FAB, acabaram indo em ônibus especial, numa cansativa viagem que tornou difícil a recuperação dos jogadores para o jogo.
Depois, aconteceu mudança no local do jogo. De última hora, os dirigentes da Federação Fluminense de Futebol entenderam que Nova Friburgo seria o local ideal para receber o jogo tendo em vista que a cidade contava com o maior número de atletas no selecionado e poderia oferecer melhor arrecadação. A Seleção de Nova Friburgo era bicampeã do Estado do Rio
Ao contrário do que se esperava, os jogadores Bimba e Beto e o árbitro Jorge Cardoso não acompanharam a delegação, que se hospedou no Hotel Avenida.
Resultado: o que se viu em campo foi uma derrota fragorosa, com um selecionado que demonstrou claramente que estava cansado da viagem, que em momento algum conseguiu entrosamento, deixando-se bater com facilidade pelo escrete local, dada a sua grande superioridade técnica em campo.
O jogo foi decidido no 1º tempo, quando a Seleção de Nova Friburgo abriu a expressiva vantagem de 4 x 0. No segundo tempo aconteceram dois gols para cada lado, finalizando com o placar de 6 x 2 a favor da seleção fluminense.
Ficou claro que, sem querer justificar o fracasso, o grande mal do futebol brasiliense continuava sendo a falta de planejamento.
Eis a ficha técnica do jogo:

SELEÇÃO DE NOVA FRIBURGO 6 x 2 SELEÇÃO DE BRASÍLIA
Local: Nova Friburgo (RJ)
Data: 13 de maio de 1962
Renda: Cr$ 42.000,00
Árbitro: Aldemar de Carvalho
Gols: Paulo Banana (3), Gelson (2) e Carlinhos Machado para a Seleção de Nova Friburgo e Raimundinho e Nicotina para a Seleção do Distrito Federal.
SELEÇÃO DE NOVA FRIBURGO: Luisinho (Gabriel), Leão (Cici) e Carlito (Macedo); Tilu (Maduro), Natal e Aguinaldo; Reinaldo (Catita), Carlinhos Machado, Gelson (Rapizo), Paulo Banana e Pardal.
SELEÇÃO DE BRASÍLIA: Gonçalinho (Matil), Jair, Oswaldo (Leocádio) e Enes; Sabará e Orlando; Nicotina, Alaor Capella (Ubaldo), Ely, Matarazzo (Invasão) e Raimundinho.

REGISTROS PÓS-JOGO
Como se não bastasse o vexame no campo de jogo, os jogadores ainda tiveram que passar por outro aperto: o ônibus que trazia a delegação brasiliense quebrou, retardando em mais de 48 horas a volta ao Distrito Federal.
Quando chegaram em Brasília, alguns dirigentes resolveram botar a boca no trombone. Roosevelt Nader revelou que, até o dia em que o escrete de Brasília havia chegado a Niterói, nenhum encontro estava marcado, como dissera antes o presidente da Federação Jardel Noronha de Oliveira. Para “salvar o barco” foi preciso conseguir de última hora um amistoso em Nova Friburgo e que redundou no fracasso acima relatado.


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