A partir de 1975, o futebol do Distrito Federal começou a se profissionalizar.
Surgiram Brasília e Gama. A Campineira foi a base do Sobradinho, o Pioneira deu
origem ao Taguatinga, mas a Ceilândia continuava sem um representante nas
competições oficiais do Distrito Federal.
Somente em 1977 surgiram as primeiras tentativas no sentido de criar um clube
profissional na Ceilândia.
Finalmente, em 27 de março de 1978, no auditório do Centro Interescolar nº 01,
no setor sul da cidade de Ceilândia, aconteceu a Assembleia para deliberar
sobre a fundação de um clube social e esportivo.
Iniciados os trabalhos, foi indicado Cazuza Francisco de Souza para a
Presidência da mesa e Valdir Carmona para secretariar a reunião. Em seguida,
Cazuza Francisco de Souza relatou as atividades a serem desenvolvidas pelo novo
clube e sugeriu o nome de Dom Bosco Esporte Clube, sugestão esta aceita pela
maioria por se tratar de um clube pioneiro, existente desde 1963, porém sem
personalidade jurídica. Até então o time existia apenas de fato.
A primeira diretoria, eleita por aclamação, ficou assim constituída: Presidente
- Waldir Papa da Fonseca, Vice-Presidente - Cornélio Cristino da Luz;
Secretária - Zulmira Araújo Bezerra e Tesoureiro - Vítor Modesto de Araújo.
Também foram definidas as cores oficiais do Dom Bosco: preta e branca e o
uniforme oficial número 1: camisa branca com escudo preto na frente e no
centro, calção branco e meias brancas.
Foi assim que, em 25 de agosto de 1979, por sugestão da então Administradora
Regional Maria de Lourdes Abadia, o estatuto do clube foi alterado mudando o
nome de Dom Bosco Esporte Clube para Ceilândia Esporte Clube. As cores
permaneceram sendo a preta e a branca, mas o escudo foi alterado para uma
imagem estilizada da caixa d’água da cidade.
Nota: a caixa d’água é o monumento mais famoso da cidade de Ceilândia. É um dos
maiores símbolos da cidade e fica no centro, erguida no local onde foi fixada a
pedra fundamental de Ceilândia.
Após serem discutidas e aprovadas as devidas alterações, passou-se a formação
do Conselho Deliberativo, que ficou assim formado: Presidente - Waldir Papa da
Fonseca; Conselheiros: Cornélio Cristino da Luz, Antônio Alves Gomes, Cazuza
Francisco de Souza, Messias Palace e João da Cruz Ramos Filho.
Na noite de 8 de novembro de 1979 a diretoria do Ceilândia Esporte Clube foi
empossada, tendo como presidente Waldir Papa da Fonseca. Os demais diretores
eram os presidentes dos 25 clubes que integravam a UEC - União dos Esportes da
Ceilândia, todos eles comerciantes e que, de início, arcariam com todas as
despesas do novo clube.
Estava assim constituída: Conselho Diretor - Presidente: Antônio Alves Gomes;
1º Vice-Presidente: Nelson Ferreira; 2º Vice-Presidente: Cícero Francisco
Gonçalves; Diretor Jurídico: Mário Linário Leal; Diretor de Futebol
Profissional: Cornélio Cristino da Luz; Diretor de Relações Públicas: Ricardo
Cosme da Silva; Diretor de Esportes Amadores: Mário José Lopes; Secretário
Geral: João Ramos da Cruz Filho; Diretor de Patrimônio: Roberto Menezes; 1º
Secretário: Orlando Francisco de Souza; Tesoureiro Geral: Eunice Cazuza; 1º
Tesoureiro: Antônio Rodrigues Araújo e Diretor Social: Zulmira Araújo Bezerra.
Diretores sem pasta: Jorge Cavalcante, José Antônio de Oliveira e Muniz de
Serunlo.
Conselho Fiscal: Presidente - Raimundo Correia Lima; Membros: Carlos Alberto,
Manoel Paes Landim Ribeiro, Manoel Martins Pereira, Nilo dos Reis Pereira e
Juvercino Leite de Menezes.
A Comissão Técnica foi composta pelo treinador João da Silva, o preparador
físico Francisco Antônio da Silva (Chicão) e o massagista Catraca.
No dia 2 de outubro de 1979 aconteceu a reunião da diretoria da Federação
Metropolitana de Futebol que aceitou a filiação do Ceilândia Esporte Clube na
categoria profissional.
Já com autorização para realizar jogos, até o dia 8 de novembro realizou sete
amistosos-protótipos, vencendo cinco e empatando dois.
Os jogadores para o primeiro time do Ceilândia foram escolhidos entre os
melhores das 25 equipes da UEC, tendo como base o time do Dom Bosco, que sempre
foi um dos mais destacados do amadorismo brasiliense.
Um dos principais jogadores do Ceilândia era Adilson, que havia jogado pelo
Gama, além do ponteiro esquerdo Zé Carlos, ex-Taguatinga e que também jogou
pela Seleção Brasiliense de Juvenis de 1978.
O primeiro jogo oficial (um amistoso) do Ceilândia foi disputado contra o
Brasília, no estádio Serejão, em 18 de novembro de 1979. O Ceilândia perdeu por
2 x 1, mas Francisco Alves dos Santos, o Risadinha, aos 25 minutos do 2º tempo,
fez o gol histórico: o primeiro gol do Ceilândia Esporte Clube.
Formou o Ceilândia com Edson, Renilton, Cidão, Luciano e Jura; Adilson, Paulinho (Camilo) e Chinésio (Israel); Mardônio, Risadinha e Zé Carlos. Técnico: João da Silva.
No dia 12 de dezembro de 1979 conseguiu sua primeira vitória como time profissional: no estádio Serejão, venceu a Desportiva Bandeirante por 2 x 0, gols de Luciano e Paulo Clemente.
Participou pela primeira vez do campeonato brasiliense no ano de 1980. Sua
estreia foi no dia 18 de maio de 1980, no Serejão, quando foi derrotado pelo
Taguatinga, por 3 x 0. O time atuou com Edson, Renilton, Cidão (Arlício),
Toninho e Teixeira; Adilson, Paulinho (Lelé) e Zé Vieira; Messias, Risadinha e
Marquinhos. Técnico: Francisco Antônio da Silva (Chicão).
Uma semana depois, 25 de maio de 1980, o Ceilândia somou seu primeiro ponto e
marcou o seu primeiro gol oficial. Novamente Risadinha foi o autor desse gol,
aos 38 minutos do 2º tempo, empatando a partida contra o Guará, no CAVE: 1 x 1.
Sua campanha no 1º turno desse campeonato até que foi razoável, terminando em
4º lugar entre 9 equipes. Nos oito jogos que disputou, venceu três, empatou
dois e perdeu três. Marcou sete gols e sofreu dezesseis. No segundo e terceiro
turnos foi muito mal, ficando com a oitava colocação em ambos. Na classificação
geral, ficou em sétimo lugar, com essa campanha: 24 jogos, 5 vitórias, 6
empates e 13 derrotas; 14 gols a favor e 40 contra.
O artilheiro do Ceilândia no campeonato foi Messias, que marcou seis gols.
Logo depois, em novembro de 1980, o Ceilândia disputou o Torneio de
Classificação para a Primeira Divisão de 1981, um quadrangular também chamado
de Torneio da Morte, que apontaria dois classificados para a principal divisão
do futebol brasiliense no ano seguinte.
Perdendo para o Tiradentes (1 x 0), vencendo a Desportiva Bandeirante (2 x 0) e
perdendo para o Comercial, de Planaltina (2 x 1), o Ceilândia ficou em terceiro
lugar e fora da Primeira Divisão do Campeonato Brasiliense de 1981 (era ideia
da Federação Metropolitana de Futebol a criação da Segunda Divisão do DF, que
acabou não acontecendo e deixando todos os clubes inativos no ano de 1981).
A inatividade do Ceilândia só não foi completa pois, antes do início do
Campeonato Brasileiro da Terceira Divisão (Taça de Bronze) de 1981 foram
realizados Torneios Seletivos nos Estados com a finalidade de apontar seus
representantes nessa competição.
Com o Brasília na Primeira Divisão (Taça de Ouro) e o Gama na Segunda (Taça de
Prata), participaram do Torneio Seletivo do Distrito Federal quatro equipes:
Ceilândia, Sobradinho, Taguatinga e Tiradentes.
O torneio foi disputado no Estádio Serejão, em rodadas duplas, nos meses de
janeiro e fevereiro de 1981. O Ceilândia ficou em 2º lugar no 1º turno e em
quarto no segundo, não conseguindo a vaga.
Nos anos 80 e 90, o Ceilândia sempre foi coadjuvante nos campeonatos
brasilienses que disputou: 6º em 1982, 7º em 1983, 6º em 1984 e 1985, 5º em
1986, 4º em 1987, 6º em 1988 e 3º em 1989, sua melhor colocação na década de
80. Essa boa colocação levou o Ceilândia a disputar a Série B do Campeonato
Brasileiro pela primeira vez (ver períodos do Brasiliense e do Brasileiro).
Estreou no dia 09.09.1989, no Serejão, sendo derrotado pelo Sobradinho por 1 x
0. Depois, empatou com o Vila Nova-GO (0 x 0), venceu o Atlético Goianiense (1
x 0) e perdeu para a Anapolina (1 x 2), conseguindo passar para a segunda fase,
quando enfrentou o Rio Branco, do Acre, empatando em casa (0 x 0) e perdendo
fora (1 x 0), sendo desclassificado.
Começou a década de 90 sendo o oitavo e último colocado em 1990; foi 5º em
1991, novamente oitavo e último em 1992, 6º em 1993, não disputou os
campeonatos de 1994 e 1995 e quando retornou, no ano de 1996, foi 14º e último
lugar no campeonato brasiliense, sendo rebaixado para a Segunda Divisão de
1997. Foi sexto lugar na Segunda Divisão de 1997 e tornou-se campeão no ano
seguinte, retornando à Primeira Divisão em 1999, quando foi 7º colocado.
Continuou sua irregularidade nos anos 2000, sendo 5º em 2000, 6º em 2001, 5º em
2002, 7º em 2003 e 4º em 2004.
Nesse ano de 2004 voltaria a disputar um Campeonato Brasileiro, a Série C,
novamente se classificando para a fase seguinte, após ficar com a segunda
colocação num grupo formado por Tupi, de Minas Gerais, e Americano e
Friburguense, do Rio de Janeiro.



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