sábado, 26 de setembro de 2026

OS CLUBES DO DF: Ceilândia Esporte Clube - 2ª parte


Em 2005, sob o comando de Sérgio Luís Lisboa de Almeida Filho, o Serjão, o Ceilândia deu mostras de que poderia vir a ser a terceira força do futebol do DF. O clube adquiriu ônibus, reformou o estádio e alugou as dependências do Jaguar Esporte Clube transformando-o em Centro de Treinamento. O investimento deu certo e o Ceilândia foi vice-campeão brasiliense em 2005 desbancando Gama e CFZ. Naquele mesmo ano fez uma série C excepcional. Na primeira fase foi o primeiro colocado do grupo que também teve o Paranoá (DF) e Mineiros e Grêmio Inhumense, ambos de Goiás. Na segunda fase eliminou o CENE, do Mato Grosso do Sul (2 x 1 e 1 x 1). Na terceira, não tomou conhecimento do Londrina (PR), vencendo os dois jogos (3 x 0 e 1 x 0). Porém, na quarta fase foi eliminado pelo Ipatinga-MG (1 x 2 e 0 x 0). Ficou em 7º lugar na classificação geral, numa competição que reuniu 63 clubes.
Em sua primeira participação na Copa do Brasil, no ano de 2006, o Ceilândia teve logo uma pedreira na primeira rodada: o Bahia.
Com reformas às pressas no estádio Abadião, na primeira partida pela Copa do Brasil de sua história, o Ceilândia ficou no empate sem gols com o tricolor baiano. No jogo de volta, em plena Fonte Nova, o Ceilândia mostrou força para evitar que sua primeira participação na Copa do Brasil fosse marcada por uma passagem meteórica. Venceu o Bahia por 2 x 1 e garantiu vaga na segunda fase.
Na segunda fase, o Ceilândia enfrentou um time da Primeira Divisão do Campeonato Brasileiro, o Fortaleza. No primeiro jogo, em casa, empate em 1 x 1. Com esse resultado, o Ceilândia precisava vencer ou arrumar um empate acima de um gol para avançar no jogo me Fortaleza. Não conseguiu. Placar final: Fortaleza 3 x 1 Ceilândia.
No campeonato brasiliense de 2006, o Ceilândia chegou na quarta colocação.
Ainda em 2006 disputou sem brilho a Série C do Campeonato Brasileiro, sendo desclassificado na primeira fase, tendo enfrentado Ituiutaba (MG), Atlético Goianiense e Chapadão (MS).
Após disputas internas pelo poder, Serjão foi deposto do cargo de presidente do Ceilândia com suspeitas de desvio de fundos. José Beni Monteiro de Oliveira assumiu a pasta e com o dinheiro da venda da sede social o clube investiu na construção de um CT próprio chamado "Cidade do Gato" dando mostras de que a diretoria queria transformar o clube em uma das referências do futebol do DF.
No campeonato brasiliense de 2007 foi o terceiro colocado e novamente não conseguiu classificação para a fase seguinte na Série C do Campeonato Brasileiro desse ano. Tendo enfrentado Atlético Goianiense, CRAC (GO) e Cacerense (MT) ficou em terceiro lugar no grupo (apenas os dois primeiros se classificavam).
Repetiu a boa colocação no campeonato brasiliense de 2008, novamente chegando em terceiro lugar. No ano seguinte, não foi bem, ficando na sexta colocação entre os oito participantes.


Finalmente, em 2010, o Ceilândia entrou para a história do futebol de Brasília e deixou de ser apenas um coadjuvante, ao conquistar o campeonato brasiliense, ao vencer surpreendentemente o Brasiliense por 3 x 1, no Abadião. No jogo da volta, conseguiu segurar um empate em 2 x 2, após estar perdendo o jogo por 2 x 0. Assim, o Ceilândia quebrou uma série de seis títulos seguidos do Brasiliense.
Os jogadores que participaram dos dois jogos decisivos contra o Brasiliense foram Edinho, Edimar, Badhuga, Celso e Diogo; Liel (Fabinho), Vieira (Daniel), Allann Delon e Augusto (Willian); Cafu (Willian Carioca) e Dimba (Rodrigo Melo). O técnico foi Adelson de Almeida.
Voltou a disputar o Campeonato Brasileiro em 2010, agora na Série D. Novamente não conseguiu passar para a outra fase, após ficar em terceiro lugar no grupo formado ainda por Brasília e Botafogo, ambos do Distrito Federal, e o Araguaína, de Tocantins.
Depois da conquista do título estadual em 2010, o Ceilândia fez uma campanha abaixo do esperado em 2011 vindo a ser eliminado ainda na fase de classificação.
Também foi muito mal na Copa do Brasil de 2011. O Ceilândia deu vexame e não passou do primeiro jogo. Bastaram 45 minutos para o Ceilândia dar adeus à Copa do Brasil. Estreando no Abadião, contra o Caxias, do Rio Grande do Sul, foi impiedosamente goleado por 5 x 0, com todos os gols marcados ainda na primeira etapa.


Em 2012 o Ceilândia surpreendeu ao chegar às duas finais do Campeonato Brasiliense. Perdeu o primeiro turno, a Taça JK, para o Luziânia por 3 x 2, na casa do adversário. Porém ganhou o segundo turno, a Taça Mané Garrincha, por 4 x 1 contra o Sobradinho, também na casa do adversário. Disputou a grande final contra o Luziânia, venceu o primeiro jogo por 1 x 0, e perdeu o segundo pelo mesmo placar, acabando por se sagrar campeão dado a sua melhor campanha na primeira fase da competição.
Também em 2012, o Ceilândia realizou boa campanha no Campeonato Brasileiro da Série D, ficando, na primeira fase, em segundo lugar no grupo integrado ainda por CENE (MS), Aparecidense e CRAC, ambos de Goiás, e Sobradinho (DF). Na segunda fase, foi eliminado pelo Friburguense (RJ), em dois jogos (0 x 0 e derrota de 2 x 1).
Voltou a ficar em terceiro lugar no campeonato brasiliense de 2013 e foi muito mal no de 2014, quando chegou na sétima colocação entre doze equipes.
De 2015 a 2018, no âmbito estadual, o Ceilândia manteve-se competitivo, alcançando as finais estaduais em 2016 e 2017, mas acabou ficando com o vice-campeonato em ambas as ocasiões. Foi quinto colocado em 2015 e terceiro em 2018.
Após esses anos, viveu um breve período (2019 e 2020) de mal desempenho. Em 2019, entre os doze participantes, ficou com a nona colocação e, no ano seguinte, foi pior ainda, quando chegou a flertar com o rebaixamento, chegando na décima posição entre doze participantes (os dois últimos foram rebaixados).
O Ceilândia voltou a crescer no cenário local nos anos de 2021 e 2022, tornando-se vice-campeão nas duas edições, perdendo decisões equilibradas para o Brasiliense.
O grande momento nacional do Ceilândia ocorreu na Copa do Brasil de 2022. Surpreendeu o País ao eliminar equipes de divisões superiores, como o Londrina (1ª fase) e o Avaí (2ª fase). O time avançou de forma inédita à terceira fase, caindo de cabeça erguida diante do Botafogo.
Depois de um sexto lugar no Campeonato Brasiliense de 2023, alcançou o tricampeonato do DF em 2024, após campanha com uma derrota apenas, quebrando um jejum de 12 anos sem o título local.
Nos anos de 2025 e 2026, realizou campanhas regulares no campeonato brasiliense, que deram ao clube o quarto lugar em ambas.
No âmbito nacional, o Ceilândia teve um excelente desempenho no Campeonato Brasileiro da Série D de 2025, avançando até as oitavas de final, onde acabou eliminado pelo Barra (SC). A boa campanha garantiu ao clube o direito de disputar a edição expandida do em 2026 devido aos novos critérios de mérito da CBF.
Já em 2026, o Ceilândia superou a fase de grupos avançando ao mata-mata (fase de 64 avos), mas encerrou sua participação na competição nacional ao ser superado pelo Luverdense. O time já possui vaga assegurada na Série D de 2027 via redistribuição local.


A CIDADE DO GATO

A Cidade do Gato (ou simplesmente CT do Gato Preto) é o Centro de Treinamento oficial do Ceilândia Esporte Clube. Localizado a aproximadamente 9 quilômetros da região central de Ceilândia, o complexo foi projetado para ser um marco de infraestrutura na Região Centro-Oeste.
O projeto foi idealizado e construído entre 2011 e 2012, sob o comando de José Beni, presidente do clube na época. Pensado em grande escala para profissionalizar de vez as operações do Ceilândia, o espaço foi dividido estruturalmente em quatro ambientes principais:
Alojamento e Concentração: Uma área com apartamentos e suítes espaçosas projetada para hospedar os atletas profissionais e a comissão técnica antes de partidas decisivas.
Convivência e Lazer: Salas de estar e de televisão, salão de jogos e academia equipada para a preparação física.
Apoio e Recuperação: Um bloco contendo salas administrativas, departamento médico e uma piscina semiolímpica para regeneração física dos jogadores.
Futebol e Imprensa: Uma área técnica com sala de imprensa, vestiários modernos (mandante e visitante), sala de aquecimento e dois campos oficiais de treinamento medindo 105x68 metros cada.
Embora o projeto tenha sido desenhado de forma muito ambiciosa, a velocidade de conclusão das obras variou com as condições financeiras do clube ao longo dos anos. Recentemente, a estrutura passou a ser um pilar indispensável para as categorias de base e para os treinos da equipe profissional, oferecendo gramados de excelente qualidade para a preparação dos atletas que disputam o Campeonato Brasiliense e as competições nacionais.



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