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quinta-feira, 16 de junho de 2016

HÁ 40 ANOS NO FUTEBOL BRASILIENSE: A chegada de Dida


No dia 16 de junho de 1976, às 16 horas, Dida, ex-jogador do Flamengo e da Seleção Brasileira, desembarcava em Brasília para ser o treinador do Taguatinga Esporte Clube. A comitiva que o recebeu era formada pelo supervisor Raimundinho, o diretor de futebol João Juvêncio e Eurípedes Bueno, técnico anterior da equipe e que passaria a ser seu auxiliar-técnico.

Edvaldo Alves de Santa Rosa, o Dida, foi o maior ídolo do Flamengo até o surgimento de Zico.
Alagoano de Maceió, onde nasceu a 26 de março de 1934, Dida começou no CSA, de sua cidade natal, onde conquistou o campeonato estadual em 1952. Foi descoberto pelo Flamengo num jogo entre as seleções alagoana e paraibana, pelo Campeonato Brasileiro de Seleções, em 1954, quando marcou três gols nos 4 x 1 da sua equipe. 

Estreou no Flamengo em 17 de outubro de 1954, vencendo o Vasco da Gama por 2 x 1. Foi tricampeão carioca nos anos de 1953 a 1955. Na Seleção Brasileira disputou oito jogos e marcou cinco gols, de 1958 a 1961. Era um dos dos titulares na Copa do Mundo de 1958, na Suécia. Disputou o primeiro jogo, porém, não jogou mais, substituído que foi por nada mais, nada menos, que o jovem Pelé, que encantaria o mundo com seu futebol.

Em 1963, Dida trocou o Flamengo pela Portuguesa de Desportos, deixando no rubro-negro o saldo de 257 gols. Só Zico o superou muitos anos depois. Depois da Portuguesa foi para o futebol colombiano, onde defendeu as cores do Junior de Barranquilla, Colômbia.

Depois que abandonou o futebol como jogador, em 1968, deu seus primeiros passos como treinador dentro do próprio Flamengo. Logo depois, foi convidado para dirigir o Ferroviário, de Maceió. Pela brilhante campanha empreendida pelo Ferroviário no ano de 1972, a imprensa alagoana elegeu o Ferroviário como o melhor conjunto do ano. 

Depois passou para o CRB, também de Maceió, onde durou apenas 19 dias, reclamando da falta de apoio da diretoria do clube. Retornou ao Rio de Janeiro e não muito tempo depois retornou a Maceió para dirigir o CSA, maior rival do CRB. Mesmo conquistando mais vitórias que derrotas, foi dispensado pelo clube alagoano. Passou a treinar o Fluminense, de Feira de Santana, onde teve a experiência mais difícil de sua carreira como treinador, onde também não houve entendimento com os dirigentes do clube.

No dia 17 de junho de 1976, Dida foi apresentado aos jogadores. Eurípedes Bueno ainda dirigiu o treino de 17 e o coletivo final no dia seguinte, mas no jogo contra o Grêmio, no dia 19 de junho de 1976, era Dida que estava no banco de reservas orientando os jogadores.
A estreia aconteceu no Pelezão, na preliminar de Ceub x Gama. O Taguatinga foi derrotado pelo Grêmio: 1 x 0.
Depois desse jogo, Dida foi o treinador do Taguatinga em cinco oportunidades, sem conhecer derrotas:

26.06 - 0 x 0 Humaitá, do Guará
03.07 - 4 x 2 Canarinho
31.07 - 2 x 1 Flamengo, do Cruzeiro
08.08 - 1 x 0 Canarinho
15.08 - 3 x 2 Gama

Nesse intervalo, mais precisamente no dia 21 de julho de 1976, foi o treinador do Taguatinga no amistoso realizado no Estádio de São Januário, no Rio de Janeiro, que serviu para pagar parte do empréstimo do atacante Banana ao Vasco da Gama.
Mas um desentendimento entre os clubes do DF e a então Confederação Brasileira de Desportos (CBD), fez com que a vaga no Campeonato Brasileiro de 1976 fosse para a Ponte Preta.
Muitos clubes, inclusive o Taguatinga, que começavam a disputar um campeonato profissional naquele ano, passaram a se desfazer de treinadores e jogadores com o objetivo de amenizar suas folhas de pagamento.
Sobre sua passagem pelo futebol brasiliense, afirmou Dida no livro “DIDA Histórias de um Campeão do Mundo”, de Luiz Alves, lançado em 1993, em Maceió:

“Mas de uma ou de outra forma, tudo na vida tem a sua compensação. E para amenizar o drama que vivi em Feira de Santana, aceitei convite para dirigir o Taguatinga, na Capital Federal. Passei em Brasília cinco meses e só não demorei mais porque a situação do futebol ali era tremendamente deficitária. As rendas não davam sequer para cobrir a metade das despesas! Os clubes viviam, na época, em tremendo sufoco financeiro, salvando-se tão somente pelo poder individual de alguns dirigentes. Aliás, no Taguatinga, todos os diretores foram muito legais comigo, sobretudo a diretoria executiva do clube, que fazia questão de saldar todos os compromissos, integralmente, e jamais se furtou a apoiar o meu trabalho junto ao plantel. Foram os grandes momentos que tive em minha carreira inicial como treinador. Nada me faltou e até fiz amigos demais na Capital Federal. Quanto ao Taguatinga, tive a sorte de ajudá-lo a conquistar o vice-campeonato brasiliense, sem ter perdido uma vez sequer para o campeão... Mas a falta de recursos do clube, me obrigou a retornar em definitivo para o Rio de Janeiro.”.
Nota do blog: o Taguatinga não foi vice-campeão, foi o quarto colocado.
Em 1977, quando já fazia parte da Associação de Treinadores de Futebol, da qual foi um dos fundadores, recebeu a missão de dar “aulas de futebol” em um programa norte-americano de intercâmbio esportivo em Washington e na Filadélfia, Estados Unidos, reunindo crianças de 8 aos 14 anos.
Em outubro de 1980, Dida teve um aneurisma e parou com todas as atividades relacionadas ao futebol.
Faleceu em 17 de setembro de 2002, no Rio de Janeiro, aos 68 anos.

Muito antes, em 8 de agosto de 1993, quando o jornalista Lauthenay Perdigão do Carmo fundou o Museu dos Esportes, em Maceió, deu-lhe o nome de "Museu dos Esportes Edvaldo Alves Santa Rosa (Dida)".

2 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

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  2. Dida perdeu a posição, injustamente, para o Pelé (inventaram uma contusão) quando ele jogou pela Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1958. Era o titular e deveria continuar sendo. O Brasil venceu a Suécia por 5 x 2. Se o Dida estivesse em campo marcaria, no mínimo, 2 gols. Aliás, deveria continuar sendo o titular daquela seleção brasileira, com o Pelé no banco de reservas. Ele era um extraordinário goleador. Naqueles 5 x 2, em que o Brasil tornou-se campeão mundial em 1958, no mínimo, teria marcado, repito, uns dois gols, queiram ou não os adoradores do Pelé.

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