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quarta-feira, 16 de novembro de 2016

CRAQUES DE ONTEM E DE HOJE: Invasão


IN MEMORIAM

Jorge da Silva Nunes, o Invasão, nasceu no Rio de Janeiro (RJ), no bairro de Bangu, em 16 de novembro de 1941.
Aos 12 anos já tomava contato com uma bola de futebol.

Ceres
Convidado por um amigo, ingressou numa agremiação amadora, o Ceres Futebol Clube, equipe do bairro de Bangu e que disputava o campeonato do Departamento Autônomo.
Logo depois, recebeu um convite para treinar no juvenil da Portuguesa, da Ilha do Governador, lá fazendo um estágio de sete meses.
Em 1960 serviu ao Exército, onde também jogou no time da corporação.
Em 1961, veio tentar a sorte em Brasília, convidado pelo então goleiro Otaziano. Ingressou no Defelê, permanecendo três anos.
Ganhou o apelido por morar na invasão do IAPI.

Defelê - 1961
Sua estreia no Defelê não podia ser melhor. No dia 5 de março de 1961, em jogo válido pelo Torneio “Prefeito Paulo de Tarso”, no estádio Duílio Costa, ele substituiu Ramiro e marcou o gol da vitória de 1 x 0 sobre o maior rival de seu clube, o Rabello.
Logo depois, o Defelê excursionou pela primeira vez em sua história, ao interior de Goiás, voltando invicto. Em seu primeiro jogo na cidade de Jaraguá, no dia 1º de maio de 1961, enfrentando o time de mesmo nome, conseguiu a expressiva vitória de 5 x 1, com três gols de Invasão.
Participando de alguns jogos como titular e marcando dois gols, Invasão ajudou o Defelê a tornar-se bicampeão brasiliense em 1961.

Defelê - 1962, com
Raimundinho
Começou o ano de 1962 como titular e logo no primeiro jogo oficial do ano, válido pelo Torneio “Prefeitura do Distrito Federal”, no dia 11 de março, marcou dois gols na vitória de 3 x 2 do Defelê sobre o Guanabara. Ao final da competição, em que o Defelê ficou com a segunda colocação, Invasão foi um dos artilheiros do torneio, com três gols.
No dia 18 de abril de 1962 foi convocado pela primeira vez para defender a Seleção de Brasília no jogo amistoso contra o Vasco da Gama, no dia 21 de abril, comemorando o segundo aniversário da cidade. Aconteceu empate de 1 x 1, tendo Invasão entrado no segundo tempo, no lugar de Ubaldo
Seria mais uma vez convocado para a Seleção de Brasília no dia 13 de maio de 1962, para o amistoso em Nova Friburgo (RJ), contra a seleção local. Novamente entrou no segundo tempo, desta vez no lugar de Matarazzo.
Já era fevereiro de 1963 quando Invasão pôde comemorar o tricampeonato brasiliense pelo Defelê.
No começo de março de 1963, vários jogadores se transferiram de Brasília para o futebol goiano, que acabara de se profissionalizar. Invasão foi um deles. Invasão não se deu bem em Goiânia e retornou para o Defelê, a tempo de, no dia 5 de maio de 1963, fazer parte do primeiro amistoso internacional da história do clube. No estádio “Vasco Viana de Andrade”, o Defelê venceu por 2 x 1 a seleção do Chile que havia acabado de participar dos Jogos Pan-Americanos em São Paulo.
Em julho de 1963, Invasão não pôde fazer nada para impedir a eliminação do Defelê da Taça Brasil. O clube brasiliense enfrentou o Vila Nova, de Goiânia (GO) e perdeu as duas partidas. Foi a primeira vez que um clube do DF participava de uma competição de âmbito nacional.
O Defelê fez suas despedidas do certame brasiliense de 1963 no dia 6 de outubro, ficando na quarta colocação.
Logo depois, por conta de uma situação interna que continuava tumultuada no Defelê, faltando entendimento entre dirigentes, técnico e jogadores, Invasão foi um dos jogadores a ingressar no Rabello, passando a participar dos treinos do Rabello, pois tinha que cumprir estágio de três meses.
O primeiro jogo de Invasão no Rabello foi no dia 9 de novembro de 1963, no segundo amistoso contra a seleção juvenil de Brasília que se preparava para a excursão que realizaria pelo interior de Goiás e Minas Gerais. O jogo terminou empatado em 2 x 2.

Luziânia - 1964
Acabado o estágio, Invasão não acertou seu ingresso definitivo no Rabello, indo jogar em 1964 no Luziânia, na época pertencendo ao quadro de clubes filiados à Federação Desportiva de Brasília.
Quando o Luziânia viajou até Paracatu (MG), para jogar com o Amoreiras local (vitória do Luziânia, por 5 x 2), no dia 23 de fevereiro de 1964, Invasão já era jogador do clube. 
No Luziânia, formaria um grande ataque ao lado de Toco, Francisco de Bilo e Sabará.
Sua estreia oficial aconteceu em 15 de março de 1964, em jogo válido pelo Torneio “Prefeito Ivo de Magalhães”, a primeira competição sob o regime profissional em Brasília. No estádio Israel Pinheiro, o Luziânia foi derrotado pelo Colombo, por 2 x 1. Invasão foi o autor do gol do Luziânia.
Seleção do DF x Seleção de Goiás
Pela primeira vez Invasão começou como titular um jogo da seleção brasiliense, quando esta venceu o selecionado de Goiás por 2 x 1 no dia 21 de abril de 1964.
Quando o Luziânia inaugurou o gramado do seu estádio, no dia 17 de maio de 1964, convidou o Atlético Goianiense para a festa. Foi derrotado por 5 x 2, com um gol de Invasão.
Uma semana depois, em 24 de maio de 1964, o Luziânia recebeu o Rabello em seu campo para um amistoso. Curiosamente, foi goleado pelo mesmo marcador: 5 x 2. Desta vez, Invasão marcou os dois gols do Luziânia.

1964 - Seleção do DF x Fluminense (BA)
No dia 2 de julho de 1964, Invasão foi mais uma vez convocado para defender a seleção de Brasília, no amistoso contra o Fluminense, de Feira de Santana, que havia vencido o campeonato baiano de 1963 no mês de março de 1964. A Seleção de Brasília venceu por 3 x 2, com um gol de Invasão.
Invasão voltaria a marcar dois gols contra outro grande time do DF no dia 30 de julho de 1964, no amistoso disputado contra o Defelê, no estádio Ciro Machado do Espírito Santo, com vitória do Luziânia por 2 x 1.
No dia 13 de setembro de 1964, Invasão foi convocado outra vez para a seleção brasiliense, desta vez para enfrentar o Treze, de Campina Grande (PB). O selecionado brasiliense foi derrotado por 3 x 0.
O Luziânia não foi bem no primeiro campeonato brasiliense de profissionais, iniciado em 4 de outubro e encerrado em 2 de dezembro de 1964, ficando na quarta posição entre os cinco times que disputaram a competição. Fez sua estreia no dia 11 de outubro, perdendo para o Rabello, por 1 x 0.
Invasão encerrou o ano de 1964 marcando dois gols da vitória de 3 x 0 da seleção de Brasília sobre uma equipe formada por jogadores veteranos de São Paulo, no dia 5 de dezembro.
Reiniciando as suas atividades após longo período de inatividade, o Luziânia disputou um amistoso contra o 1º de Maio, de Brasília, no dia 14 de fevereiro de 1965. Com dois gols de Invasão, venceu por 3 x 2.
No dia 21 de março de 1965, o Luziânia venceu a Anapolina, de Anápolis (GO), por 4 x 2, com Invasão marcando três gols.
Continuou marcando seus gols nos vários amistosos promovidos pelo Luziânia em 1965. Num deles, em 13 de junho de 1965, no amistoso que marcou o retorno do Guará ao futebol de Brasília, Luziânia e Guará empataram em 3 x 3, com dois gols de Invasão.
Sua última partida com a camisa do Luziânia foi em 2 de agosto de 1965, no amistoso contra o Colombo, em Luziânia. Marcou o único gol do Luziânia na derrota de 3 x 1.
Chegou a ter sua contratação visada pelo Atlético Goianiense. O Diretor de Futebol desse clube chegou a ir até Luziânia para concretizar as negociações.
Além do Luziânia pedir um alto valor pelo seu passe, Invasão também não podia abandonar seu emprego em Brasília, fatos que não permitiram sua ida para o rubro-negro de Goiânia.

Quando o campeonato brasiliense de profissionais de 1965 começou, no mês de setembro, Invasão já havia se mudado para o Rabello.
Sua estreia aconteceu no dia 26 de setembro de 1965, no estádio Ciro Machado do Espírito Santo, na vitória de 2 x 1 sobre o Defelê, com um dos gols marcados por Invasão.
No final de novembro, mais precisamente no dia 28, Invasão pôde comemorar mais um título de campeão brasiliense de futebol.
Em abril de 1966, Invasão foi emprestado ao Defelê para o amistoso que este time disputaria contra o Cruzeiro, de Belo Horizonte, no dia 1º de maio de 1966, no novo estádio de Brasília. O clube brasiliense foi massacrado pelo Cruzeiro pelo marcador de 7 x 0.
Poucos dias depois, 15 de maio, disputou mais um jogo com a camisa da seleção brasiliense, no empate em 3 x 3 com o Luziânia, substituindo Djalma no segundo tempo.
Em julho de 1966 disputou a Taça Brasil, competição em que o Rabello foi eliminado pelo Anápolis (GO), após três jogos.
Mesmo atuando em poucos jogos, Invasão comemorou, em setembro, o título de campeão brasiliense de 1966 pelo Rabello.

Realizado de 23 de outubro a 14 de dezembro de 1966, o torneio “Engenheiro Plínio Cantanhede” contou com a participação de sete equipes e tinha por finalidade apontar os quatro representantes do Distrito Federal na Taça Brasília-Goiânia. Invasão disputou esse torneio com a camisa do Defelê.
O Defelê foi vice-campeão do torneio. Na decisão, Defelê e Colombo empataram em 3 x 3, com Invasão marcando dois gols. Isso não foi suficiente para dar o título ao Defelê pois, com o empate, o título foi decidido no “gol-average”, critério que beneficiou o Colombo, declarado campeão do torneio.
No dia 23 de novembro de 1966, Invasão fez parte da Seleção de Brasília que derrotou a de Goiás por 2 x 1.
Em 1967, disputou duas competições pelo Defelê: a Copa Brasil Central, de 30 de abril a 28 de junho, e o campeonato brasiliense, de 20 de julho a 19 de novembro. Em ambas as competições o Defelê não obteve boas colocações.
Em 1968, Invasão voltou a ser campeão brasiliense jogando pelo Defelê.
Também nesse ano foi convocado três vezes para defender a seleção de Brasília, nos meses de setembro e outubro.
O profissionalismo deixou de existir no ano de 1969. A maioria dos clubes atravessava dificuldades financeiras. O Defelê foi um deles, ficando de fora, inclusive, do campeonato promovido pela Federação Desportiva de Brasília. Invasão disputou pouquíssimos jogos pelo Defelê em 1969, sempre amistosos.

Serveng-Civilsan
A construtora Serveng-Civilsan aproveitou o momento de transição no futebol, com a bagunça que foi o campeonato de 1969, e resolveu montar uma equipe para disputar o campeonato brasiliense de 1970. Primeiramente contratou o treinador Otaziano. Este foi o responsável por levar para o novo clube vários jogadores de grandes clubes que estavam sem disputar competições, como Rabello e Defelê, e também que tinham passado por seleções brasilienses, dentre eles, Invasão.
Montou uma forte equipe, foi terceiro colocado no primeiro turno, a dois pontos do campeão Grêmio, e venceu o segundo, sem conhecer derrotas.
Na decisão, já em janeiro de 1971, ficou com o vice-campeonato, depois de vencer a primeira partida por goleada (6 x 2) e perder as outras duas por 2 x 1.
Invasão foi o vice-artilheiro do campeonato, com seis gols, dois a menos que seu companheiro de clube, Arnaldo, que marcou oito.
O ano de 1971 foi o último de Invasão no futebol. 
Inicialmente, atuando pelo Serveng-Civilsan, disputou, a partir de 28 de março de 1971, o Torneio Governador do Distrito Federal.
Logo no primeiro jogo, marcou um dos gols da vitória sobre o Piloto, por 2 x 0. Voltou a marcar no dia 2 de maio de 1971, quando assinalou o tento da vitória de 1 x 0 sobre o Colombo. Marcou um dos gols da vitória de 4 x 1 sobre o Gaminha, no dia 16 de maio de 1971. Finalmente, no dia 30 de maio de 1971, marcou quatro gols na goleada sobre o Carioca: 10 x 1. O Civilsan ficou na terceira colocação.
No segundo semestre de 1971, disputou o campeonato brasiliense pelo Grêmio Esportivo Brasiliense, que ficou em quarto lugar na classificação final dessa competição.
Sua última partida aconteceu no Pelezão, no dia 7 de novembro de 1971, no empate diante do Jaguar, por 0 x 0.
Antes, no dia 8 de outubro de 1971, marcou o gol da vitória do Combinado Jaguar-Grêmio sobre o Fortaleza, do Ceará, por 1 x 0, no Pelezão.
Veteranos do futebol do DF
Depois que abandonou o futebol, regularmente batia bola com os veteranos do DF. Passou, então, a dedicar-se integralmente ao seu trabalho na CEB - Companhia de Eletricidade de Brasília (oriunda do Departamento de Força e Luz - DFL), onde se aposentou em 1991.
Faleceu em 24 de abril de 2013, em sua residência, onde morava com sua filha Simone, aos cuidados do auxiliar de enfermagem. Teve seu corpo cremado e suas cinzas jogadas no mar de Copacabana, no Rio de Janeiro.

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