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segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

CRAQUES DE ONTEM E DE HOJE: Otávio



Otávio Augusto Barbosa nasceu em Andradas (MG), no dia 30 de janeiro de 1946. Ainda criança foi morar em Niterói (RJ), pois seu pai foi exercer o cargo de Defensor Público no antigo Distrito Federal. Em 1960, seu pai transferiu-se para Brasília, onde passaria a ocupar o cargo de Promotor de Justiça e depois Juiz de Direito.
Otávio estudou no Colégio Bom Bosco e começou a praticar futebol. Começou no juvenil do Rabello, em 1962. Nessa categoria já mostrava sua marca de goleador e foi campeão do DF, em 1963.
Em 1964 foi para o Defelê, onde fez sua estreia no time principal num amistoso realizado no dia 30 de julho de 1964, na derrota de 2 x 1 para o Luziânia. No segundo tempo, substituiu Fernandinho.
Em março de 1965, com 19 anos de idade, Otávio sofreu ferimentos graves num acidente de veículo ocorrido na rodovia Brasília-Belo Horizonte, quando o Jeep que dirigia, capotou. 
Quando passou a titular do time principal, tornou-se artilheiro do Campeonato Brasiliense de 1965, com quatro gols nos seis jogos que o Defelê disputou (Zezé, do Rabello, também marcou quatro gols).
Na edição de 1º de outubro de 1965, do jornal Correio Braziliense, consta a seguinte nota: “O ponta de lança Otávio, que brilhou domingo último diante do Rabello, recebeu um convite para treinar no Santos. O presidente Athiê Jorge Cury telefonou ao presidente Ruy Rossas, pedindo o craque para um período de experiência”.
No final de 1965 foi convocado pela primeira vez para defender a Seleção do DF. Foram dois jogos contra o campeão brasiliense Rabello, o primeiro no dia 5 de dezembro (empate em 1 x 1) e o segundo no dia 12 de dezembro (vitória do selecionado, por 2 x 1; os dois gols da seleção foram marcados por Otávio).

Defelê
Após o encerramento da temporada de 1965, o jornal Correio Braziliense escolheu os destaques do ano no futebol brasiliense. Otávio fez parte da “Seleção do Ano”. Eis como ficou: Zé Walter (Rabello), Aderbal (Guará), Gegê (Rabello), Sir Peres (Colombo) e J. Pereira (Rabello); João Dutra (Colombo) e Beto Pretti (Rabello); Zezé (Rabello), Otávio (Defelê), Baiano (Colombo) e Zoca (Rabello).
Em 13 de janeiro de 1966, Otávio esteve em Santos, treinando entre os companheiros de Pelé, a convite de Athiê Jorge Cury, presidente do clube paulista. 
Todos acreditavam que, em razão de suas excelentes qualidades como homem de área, com excelente visão de gol, Otávio reunia todas as condições exigidas a um ponta de lança e que ele deveria assinar contrato com o Santos.
Porém, aluno da UnB, Otávio não conseguiu acertar seu ingresso no Santos pois o contrato oferecido prejudicaria a continuação de seus estudos.
Ainda nesse mesmo mês de janeiro de 1966, chegou a Brasília, procedente da cidade de Lavras (MG), o desportista Vicente de Carvalho, irmão do treinador Didi de Carvalho, para tentar contratar alguns jogadores para clubes do Sul de Minas Gerais. Otávio foi um deles e também recusou utilizando a mesma justificativa apresentada ao Santos.
No dia 10 de abril de 1966, voltou a defender as cores do Rabello e foi o artilheiro da equipe na excursão a Patos de Minas (MG), marcando três gols contra o São Vicente e um contra a URT. 
Poucos dias antes, mais precisamente em 20 de março de 1966, o Defelê disputou um amistoso contra o Rabello e venceu por 3 x 0, com dois gols de Otávio.
Nessa mesma temporada, Otávio teve a honra de jogar contra a Seleção do Veteranos do Rio de Janeiro, que contou, dentre outros, com a presença do goleiro Barbosa, Nilton Santos, Zizinho e Telê Santanta.
Otávio foi campeão brasiliense e vice-artilheiro da competição de 1966, com 9 gols em dez dos doze jogos disputados pelo Rabello nesse ano. Esteve ausente de dois por estar acompanhando a delegação de futebol de salão da Universidade de Brasília - UnB que participava dos Jogos Abertos de São Lourenço, no interior de Minas Gerais.
Foi convocado para defender a Seleção do DF no amistoso diante da Seleção Paulista, no dia 11 de maio de 1966. Reunia as preferências para ser titular na ponta de lança, mas foi dispensado, a pedido, pois sendo universitário de Direito, viajou no dia 27 de abril de 1966, com a equipe de futebol de salão da Universidade de Brasília, para disputar o certame estudantil que se realizaria em Fortaleza (CE).
Também foi convocado para o amistoso contra a Seleção de Goiás no dia 23 de novembro de 1966, mas não participou do jogo.
Pelo segundo ano consecutivo, Otávio fez parte da enquete promovida pelo jornal Correio Braziliense que apontou a Seleção do Ano no futebol brasiliense.
Otávio voltou a se destacar na artilharia do Torneio “Engenheiro Plínio Cantanhede”, realizado de 23 de outubro a 20 de novembro de 1966, marcando sete gols. Esse torneio contou com a participação de sete equipes e tinha por finalidade apontar os quatro representantes do Distrito Federal na Taça Brasília-Goiânia. O Rabello foi o campeão, mas, posteriormente foi penalizado pelo Tribunal de Justiça Desportiva com a perda de 8 pontos por utilizar o jogador Heitor sem condições de jogo.
Em 1967 se transferiu para a equipe do Guará. Em sua estreia, no dia 21 de abril de 1967, marcou o gol da vitória de 2 x 1 sobre o Cruzeiro (DF). No dia 16 de maio, na vitória do Guará sobre o Pederneiras por 6 x 3, Otávio marcou três gols.
Foi convocado, mas não participou do amistoso da Seleção do DF contra o Santos, de São Paulo, no dia 25 de maio de 1967.

Guará - 1967
Disputou o campeonato brasiliense de 1967 pelo Guará, marcou quatro gols, mas não pôde evitar que o clube, formado por vários jogadores jovens, terminasse a competição em sexto e último lugar.
Retornou ao Defelê, em 1968, sagrando-se campeão brasiliense desse ano. Era jogador desse clube quando a Federação Desportiva de Brasília decidiu pela organização de uma Seleção Profissional de Futebol, em caráter permanente. Logo depois, Logo depois, a Federação decidiu que a Seleção Permanente iria vestir a camisa do Rabello e representá-lo na Taça Brasil.
Em abril de 1968, foi convocado para defender a seleção de futebol de salão da UnB que disputaria um torneio em São Paulo, junto com Guairacá, Axel e Arnaldo.
Em maio de 1968, Otávio recebeu uma proposta para fazer testes no Atlético Mineiro. Porém, ao chegar em Belo Horizonte, ficou sabendo que, em um momento inicial, seria emprestado para atuar no interior do estado. Então, resolveu voltar para Brasília.
No futebol de salão, Otávio foi por diversas vezes campeão de Brasília pela UnB. O time formado por Valtinho, Axel, Guairacá, Otávio e Arnaldo é considerado por muitos que acompanham o esporte como o maior da história do salonismo brasiliense.
Por exigência de seu pai, a prática de esporte foi permitida com a condição de tirar boas notas nos estudos. E assim Otávio fez. Ao término do 2º grau, ingressou no Curso de Direito da UnB e, paralelamente aos estudos e ao futebol de campo, participava do time de futebol de salão da universidade.

Deixou a Advocacia, pois foi aprovado como servidor do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, em 1975, sendo assessor do Desembargador Lúcio Arantes. Não parou de estudar e se tornou Juiz de Direito, em 1980, na 4ª Vara Criminal de Planaltina. No dia 27 de agosto de 1992 tomou posse como Desembargador do TJDFT, sendo ele o primeiro aluno da UnB a ocupar tal cargo. 
Ocupou a presidência daquela corte de 2010 a 2012.
Apesar de ter ingressado em um mundo totalmente diferente do futebol e galgado todos os degraus até chegar a presidência da Corte máxima da Justiça do Distrito Federal, Otávio fez questão de ressaltar em seu pronunciamento de posse a sua passagem pelo futebol de Brasília nos time Rabello, Defelê e Guará.

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